Carpe diem…

Acabei de assistir novamente “A sociedade dos Poetas Mortos”. É meu filme favorito de tempos em tempos. Quando me esqueço que é, revejo.

E é impressionante como meu cérebro me avisa que estou perdida, porque toda vez que duvido de mim mesma, eu me lembro desse filme e, quando o assisto de novo, percebo que eu sempre o esqueço. Não lembro nem como termina. O vejo de novo e a cada vez parece que ele está falando para um episódio recente da minha vida. É o meu cérebro mandando eu me encontrar.

Essas últimas semanas que culminaram nos acontecimentos ritmados e, ainda assim, inesperados no MAST e na minha vida foram de confusão total para mim. Eu me perguntei não uma, mas mais de uma centena de vezes se eu devia tomar outro caminho, mais fácil e silencioso. Eu me contive por alguma dose de medo e afeto, misturada à uma certa condescendência para com a falta de respeito e empatia alheia baseada no “eles não tiveram a intenção”. Nunca têm a intenção de ferir e desrespeitar. E de te fazerem sentir culpada pela dor que outras línguas e mãos te deram… É sempre um mal entendido. E a culpa que te deram por te ferir, em comunhão com a opressão de ser quem eles não respeitam, fazem a gente desejar seguir pela estrada silenciosa da aceitação composta pelos tijolos que jogaram em ti.

Aí vem esse filme, o Sr. Keating citando Frost e de repente sinto meus ouvidos tremerem:
“Duas estradas se separam em uma floresta – eu tomo aquela que é menos viajada, e isso tem feito toda a diferença.”… Tremi e, emotiva como estou, senti meus olhos suando um pouquinho quando essa pequena mão do destino me consolou.

A Sociedade dos poetas mortos é um filme que me lembra do porquê escolhi os valores que tenho hoje, do porquê a Educação está intrínseca em cada uma das minhas ações e sentimentos pelo caminhar no mundo. Me lembra de tudo que se conecta ao meu afeto, me lembra o tipo de indivíduo que escolhi ser e que persigo ser a cada dia da minha vida. Me lembra de que o caminho que escolhi percorrer, embora difícil, é a minha própria forma de saber, que no final de tudo, vivi com dignidade — que é, na minha opinião, o único jeito de que a vida vale a pena ser vivida.

Me olhei no espelho hoje, olhei de verdade, depois de quase quatro semanas me sentindo morrendo por dentro. Neste ínterim, perdi o respeito, o carinho e até a admiração profissional que tinha por algumas pessoas, perdi um pouco do meu corpo e do meu espírito; tentei sorrir normalmente e cada esgar era uma faca para dentro. E só reparei o quão quebrada estava hoje, quando o luto foi passando.

É estranho o que a arte pode fazer por nós: nos lembrar de nós mesmos, corpo, matéria e algo tão mais denso que matéria que habita quem somos, a partir de algo que nem sequer é real. Ou, talvez, seja mais real do que nós… Afinal, persiste muito além de termos desaparecido do mundo e do templo das memórias dos que ficaram nele. Constrói os caminhos para a pura resiliência do verdadeiro triunfo da vida: a criação. Neste caso, começo a sentir que entrei no meu caminho de novo, e que, sim, ele me leva à floresta de Thoreau…

“Eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida… expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido.” (Henry David Thoreau)

Que todos encontrem a sua Floresta também. A minha parece estar em algum não-lugar da minha consciência para com o mundo, habitante viva do desejo de ver as mentes, os corpos e as pessoas, verdadeira e amorosamente, livres.

Carpe diem.

Pensando na vida: Jenifer

2016-10-20-12-19-40

Olá a todos e todas!

Eu sei que faz muito tempo que não venho aqui… Na verdade, eu ando numa fase meio perdida, semi afogada em compromissos e trabalhos, e isso meio que está silenciando minha persona que aqui se alimenta de luz, cheiros e vislumbres de textos. São quase vinte rascunhos abandonados e tantos outros semi paridos na minha mente, que evito pensar nisso para não me sentir sufocada e meio estéril. Olhem a que ponto a gente se deixa levar pela vida, não é mesmo?!

Mas hoje, a caminho do trabalho, conheci Jenifer. Elx que, embora não faça qualquer diferença para a reflexão que me proporcionou, parece ser um homem trans: “Eu sou mulher, tia. Mas pareço homem, né? As vezes, eu tenho que me lembrar que não sou um”. Por este motivo, ao se aproximar de mim, cabelos rentes escondidos em um boné sujíssimo, imaginei que fosse mais um menino de rua que viria pedir algo. Sem erro: “Tia, compra uma comida para mim? Eu já consegui uns ‘pão de queijo’, mas preciso levar mais comida”.

Levava um saco amassado com com uns quatro pães de queijo dentro. E, nitidamente, esperava resistência da minha parte. Quando disse: ok, vamos ver o que consigo comprar. Caminhei em direção do Shopping e elx levou alguns segundos para me seguir. No meio da passarela, me parou:

— Tia, então posso trocar?

— Trocar? — respondi, confusa.

— Eu queria trocar: ‘invés’ do lanche, eu queria um pacote de fralda. Minha mãe tem neném em casa e eu queria levar fralda. Tem fralda de uns dez reais. Não precisa ser as caras, não. Só fralda barata mesmo. Nas ‘Lojas Americanas’ é mais barato.

Assim, Jenifer e eu entramos no shopping Nova América. De cara, era nítida a reação dos seguranças e clientes pelo local: como Moisés, sujx, pretx e maltrapilhx, Jenifer fazia o mar de gente ao redor se abrir para sua passagem. Mas não se fazia de rogadx: ia de segurança em segurança perguntar onde eram as “Lojas Americanas”, sob o jugo constante dos transeuntes que mecanicamente escondiam suas bolsas e apalpavam os bolsos na confirmação de que seus celulares permaneciam nos lugares em que foram deixados. Me perdi algumas vezes, como costuma acontecer quando vou ao shopping. rs. No caminho, íamos conversando sobre as dificuldades de viver na favela, sobre como cuidamos de ratos e moscas em nossas respectivas residências, das estratégias que elx — no Vigário Geral — e eu, em São João de Meriti, desenvolvemos para lidar com os tiros que açoitam a noite e o medo do dia.

Descobri que Jenifer tem mais dois irmãos e uma irmã, dos quais destacou Wallace — “o encapetado”, irmão mais novo, e Débora Vitória, a neném. Do mais velho, só citou a existência, mas calou-se em seguida. Não mexi na ferida, continuando a falar sobre as coisas que gostava de fazer. O futebol, por exemplo, foi facilmente identificado  como uma paixão. “Eu vôo, tia! Os moleque ficam doido comigo, porque sou mulher”, se gaba. Entusiasmadx, me pergunta se eu gosto de futebol também. Respondo que sou a maior perna de pau que conheço. Elx ri, confortável. Me pergunta o que gosto de fazer, então.

— Gosto de estudar. Por isso me tornei cientista.

A expressão de confusão é imediata. Sem rodeios, me pergunta:

— E o que é isso?

E, pega de surpresa, me vejo enrolada para responder. Tentei “eu estudo a natureza”. Não colou. Mais um “como assim?” veio na minha direção. “No meu caso, eu sou física. Eu estudo os fenômenos naturais. Como as estrelas, os furacões, a gravidade… “. A interrogação no rosto aumenta a cada resposta.

— E te pegam pra isso? Tipo, numa empresa?

Senti o coração esfarelar aos poucos, quando percebi a verdade: era o povo. O povo paga a minha pesquisa — por mais subvalorizada que um bolsista o seja. A minha e a de todos os graduandos, mestres, doutores e pós-doutores do Brasil. São pessoas como Jenifer, que nem sequer sabia o que era ciência e lutava contra infestação de ratos em casa. São pessoas que, como ela, nem sequem têm banheiro em casa. São os pretos e pobres do Brasil que pagam pela ciência. Feita por e para as elites, feita por e para brancos de classe média. Me senti envergonhada e mesquinha. Sou preta, sou pobre, sou favelada. Mas também sou cientista, sou professora, trabalho em um museu de ciências de referência do país. E, ainda assim, minha atuação profissional não chega a quem paga por ela. A quem pagou pelos meus estudos numa universidade pública, a quem paga e mantém as instituições de pesquisa no país. Isso é o fruto do alicerce da ciência no Brasil: quem paga por ela, não usufrui. 

Aos 16 anos, Jenifer ainda está no sexto ano e só foi ao museu uma vez na vida, pela escola, experiência que descreve como “parecia que a gente ‘tava em outro mundo”.  O ensino formal também não parecia ser sua grande referência positiva: “Repeti algumas vezes, tia” — sorriu, meio envergonhadx, meio debochadx — “às vezes fico de farra, sabe? A gente arruma um grupo de zona e vai. Mas, na real, a escola parece que não liga pra gente. De que adianta? Na escola, eles acham que a gente ‘já tem cara de mendigo ou de bandido’. Mas aí, a gente sai da escola e vira mesmo: ou mendigo ou bandido “.  Outro baque.

Perguntei, ainda sentida pela crueldade da fala anterior: mas tu ‘quer’ ser bandido?

Não o fiz de maneira incisiva, não perguntei para julgar. Moro num lugar em que crianças são ensinadas desde cedo a brincarem de “polícia e ladrão” e saberem fazer as onomatopeias próprias de cada tipo de calibre que já ouviram. Crianças que, nos seus cinco, seis anos, já imitam traficantes cheirando cocaína ou fumando maconha, enquanto seguram um fuzil-vassoura e  eventualmente “rendem” o amiguinho que ganhou o papel de vítima. Tudo isso, diariamente, seca cada vez mais o pouco de furor que eu tenho para com o mundo. Mesmo assim, a resposta me fez tremer:

— Não, né, tia. — responde, os olhos duros e amarelos — Por isso que tô aqui de mendigo, pedindo as ‘coisa’ pra senhora.

Comprei a fralda XG nas Lojas Americanas, sob o asco puro e transparente dos clientes. A expressão nos olhos daquelas pessoas me deu uma vergonha imensa. Eles não percebiam que, debaixo das camadas de sujeira, os chinelos imensamente maiores que seus pés, os olhos amarelos de fome, a fala rude e as unhas imundíssimas se encontrava uma pessoa que não só tinha orgulho de um talento próprio — seus “vôos” com a bola nos pés — como também tinha coragem o suficiente para se despir da “dignidade” e mendigar pelos seus. Um\uma sobrevivente, algo que os pequenos e medíocres transeuntes, no alto de seus entojos, jamais serão. Pois sempre tiveram a barriga cheia: de comida e de certezas de que bastaria se esforçarem para que sobrevivessem na vida.

Paramos na entrada do metrô. Jenifer ainda me “ensinou” como me portar com “os menó” que vem assaltar, no caso de alguém mexer comigo na rua:

— Tia, na vida a gente não pode mostrar medo. Põe a cabeça pro alto e encara eles, como quem tá mandando. 

E eu fiquei ali, admirada com força de vontade daquela pessoa tão imensa e tão mínima para o mundo… Antes de ir, como a sacar de vez minha tristeza e culpa para fora do meu coração, ainda completa:

— Tia, na escola vai dar essas coisas que a senhora estuda?

E, emocionada, fui obrigada a responder:

—  Sim, um pouco. Só mais pra frente.

E, me devolvendo o olhar certeiro — como se estivesse me cobrando uma promessa –, elx arrebata:

— Então vou esperar pra ver.

Entrei no metrô, sem segurar as lágrimas, rezando para todos os deuses que qualquer pessoa no mundo possa acreditar para que nem a vida, nem a pobreza, nem o próprio elitismo da ciência faça com que essa promessa seja quebrada.

Liz

 

Nas ladeiras de pedra sabão…

A gente sempre tem um momento na vida em que há um estalo e você sente que sabe que terá que deixar ir algo que segurou firme em suas mãos por muito tempo. Sabe? Quando você sente que… Simplesmente terá que deixar ir algo que não cabe mais na sua vida, por mais querido que seja? Pode ser um namorado, um emprego, uma relação com um amigo que, por alguma razão do destino, não dá mais.  Isso aconteceu comigo em 2015. No meu caso, eu respirei fundo e me despedi de um sonho. E posso ser sincera com vocês? Senti aquela tristeza solitária e compreensiva, como se, enfim, estivesse entendendo que era a hora de deixar minha infância para trás. Entender que aquele sonho provavelmente não era mais pra mim, não era mais meu sonho, foi uma das coisas mais difíceis e solitárias que já fiz. Como Wendy, ao pegar o navio de volta a Londres.  Meu “navio do Capitão Gancho” era feito em pedras sabão, pois ele é todinho a cidade de Ouro Preto.

2016-05-28 00.55.03

Descrição da imagem: A imagem mostra uma vista das casas ao redor do museu Tiradentes. Em primeiro plano, estão as pontas da amurada, trabalhadas em pedra sabão também na forma de um “pêssego invertido”, e hachurado. Em segundo plano, descendentes da direita para esquerda, formando a rua. E, ao fundo, estão as casas de arquitetura colonial, brancas de telhados com telhas cor de tijolo e portas e janelas em azul. A foto está num filtro que parece que foi desenhada.

Em Outubro do ano 2015, eu fui à Ouro Preto. A Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) desse ano foi lá e fui apresentar à comunidade acadêmica o trabalho apresentado na minha monografia. Eu sempre quis ir à Ouro Preto! Tenho uma queda grande por cidades históricas e raramente na vida saí do estado do Rio, onde nasci e moro, então estava super empolgada. Ou achava que deveria estar, sei lá. Na verdade, eu sou muito “caxias” e, em geral, quando vou a um evento acadêmico, eu realmente participo deste o tempo inteiro. Mesmo quando as palestras e sessões não são especificamente da minha área, em geral eu assisto. Sempre é uma oportunidade de aprender algo novo, né?

 

2016-05-28 01.03.54

Descrição da imagem: A foto mostra o topo de uma rua descendente em pedra sabão, ladeada pelas casinhas coloniais. Carros descem a rua, primeiro um azul, bem no início (topo da rua), perto do cruzamento onde a foto foi tirada e outro, mais avermelhado, distante, já na descida acentuada da rua. Ao fundo, os morros de casinhas e árvores da cidade de Ouro Preto. A foto está com um filtro que parece que os traços foram desenhados.

Mas, dessa vez, foi meio diferente.  No último dia, quando haveria a reunião dos grupos de pesquisa — dos quais eu não fazia parte mais — eu acabei saindo. Eu sabia que poderia ficar e assistir aos debates que durante quatro anos identifiquei como “da minha área” e conviver mais com a expertise daquelas pessoas que, acreditei por um tempo, seriam de minha convivência cotidiana em um futuro próximo. Mas, num ímpeto, saí. As cores se bagunçaram de forma muito intensa dentro de mim (lembram desse texto?) e eu saí dali. Eu subitamente soube que eu não deveria mais estar ali. Simplesmente desci as escadas e me impeli nas ruas estreitas e nostálgicas de Ouro Preto.

Eu não sabia ainda mas as ladeiras de pedra sabão guardariam para sempre a despedida da minha infância.

2016-05-28 00.51.36

Descrição da foto: Mais uma foto da amurada do Museu Tiradentes, agora voltando-se para o outro lado da praça. No outro lado da rua, mais casas e restaurantes de arquitetura colonial. As portas e janelas se alternam nas cores azul e amarelo. Ao fundo, as paredes do Observatório de Ouro Preto são sucedidas pela visão dos morros em verde da cidade. A foto está com um filtro que faz parecer que os traços estão desenhados.

 

Andar por aquela cidade sozinha me fez perceber o quão grande e poderoso é o tempo. Todas aquelas casas, igrejas a perder de vista, o observatório onde, na minha primeira noite na cidade, eu assistira ao magnífico eclipse total da lua, os ladrilhos no chão. Tudo retomava ao poder do tempo e sua majestade. Andei muito, subi e desci inúmeras ladeiras, fui ao museu Tiradentes, à casa de Claudio Manoel da Costa, andei pelas ruelas e feirinhas. Por fim, voltei ao centro mais uma vez e me sentei no obelisco, pensando em tudo que vi e ouvi nos últimos dias e horas, tentando entender o que era aquela sensação que borbulhava dentro de mim. Absorvendo passado e futuro, da cidade e meus. Ao meu redor, turistas e moradores andavam, tirando fotos com smartfones e câmeras de última geração sob aquelas pedras gastas pelo andar de inúmeras marcas dos anos. E o Tempo começou a sussurrar no meu ouvido, me mostrando com carinho o que Ele é capaz de fazer com  as coisas, as memórias, os sorrisos e as pessoas.

2016-05-28 00.58.01

Descrição da foto: Obelisco em pedra no centro da praça Tiradentes, em Ouro preto. Nas escadas que levam ao monumento, abaixo do mesmo, algumas pessoas estão sentadas, mexendo em celulares. Ao fundo do monumento está o Museu Tiradentes, uma imensa construção colonial em branco e pedra. Na lateral, estão as casas e restaurantes de arquitetura colonial.

E em como ele me moldou. Eu, que sempre me vangloriei de ser quase imune aos seus caprichos, de desafiar sempre seus anseios e destino. Me senti pequena, vulnerável, sozinha. Ponderei se deveria voltar ao congresso, à astrofísica, às minhas estrelinhas, tão minhas que sua companhia era confortável e simples. Foram minhas, meu sonho e devir, por tanto tempo! Por que fora embora assim, como se não me pertencessem mais?

E percebi que, não, talvez eu não mais voltasse para lá. Que havia, dentro de mim, algo que se despediu daquelas pessoas, daqueles devir, daqueles olhares de ver o mundo que, para mim, não mais se pareciam com os meus.

2016-05-28 01.00.59

Descrição da imagem: Mas uma rua descendente em pedra-sabão. No primeiro plano, no lado direito da foto, está uma placa de “proibido estacionar”. No final da rua, lá em baixo em segundo plano, está um marco de procissão, na forma de uma portal com paredes brancas, umbral amarelo e porta vermelha. Ladeando a rua, estão casas em arquitetura colonial e árvores cujas folhagens emolduram um céu muito azul e limpo. Ao fundo, em terceiro plano, estão morros com suas árvores verdes e casinhas coloridas brilhando ao sol.

E senti uma saudade imensa, porque por toda a minha vida até ali, estar ali, com aquelas pessoas, fazendo o meu trabalho com as minhas estrelinhas era o que me fazia ser eu. Era tudo que eu queria. E, naquele momento, percebi que talvez não fosse mais.

Vocês percebem? Nas ladeiras de pedra sabão, eu me despedi de uma parte de mim. A guardei com carinho na minha alma e, ao mesmo tempo, a deixei ir. E que coisa mais difícil, gente. Que coisa mais avassaladora é ter que se despedir de um sonho, de um devir.

2016-05-28 01.02.59

Descrição da imagem: A imagem mostra o marco da procissão, na forma de uma parede branca delimitada por um umbral amarelo, com uma porta vermelha ao centro também de umbral amarelo. A rua se divide no marco, descendo para esquerda e para direita a partir dele, com as pedras sabão do chão formando desenhos que parecem escamas no chão, à luz do sol. Em segundo plano, estão as inúmeras casinhas coloridas da cidade, todas em arquitetura colonial, e atrás, os morros em verde e cor.

Quando entrei no ônibus para voltar e, pela janela, as torres e torrezinhas das igrejas iam ficando menores, e as cores das casinhas crescentes em ladrilhos intermináveis iam se apagando, deu uma dorzinha no peito, uma sensação de solidão e nostalgia que eu não sei explicar.

“Adeus”, eu disse em  pensamento. Não me dirigia à cidade, mas sim para mim mesma, à pequena Bi que acenava em despedida, sozinha, chorosa, feliz e triste, lá do Centro de Convenções em que tinha conseguido mostrar aos seus pares a concretização de seu sonho de uma vida inteira e que, súbito e chocantemente, acabara por decidir ficar lá. Tive um pouquinho de vontade de chorar, confesso. Mas, em troca, dei um sorrisinho de amor e gratidão. Ela me guiara até ali. Ela me afagara nos momentos de incerteza, desamparo e dor. Aquele sonho, de estudar as estrelas para todo a minha vida, me mantivera viva por todo esse caminho. Então tentei sorrir, mesmo que timidamente. Porque, por mais que fosse um pouco triste (e um pouco doce), aquilo não era só tristeza, não.

Era o futuro e a sensação de que ele tinha acabado de chegar. Bem ali, nas ladeiras de pedra sabão da cidade de Ouro Preto.

Liz

“Poeme-se”

2016-07-20 11.54.54

Olá!!!

Acabei de perceber que o facebook tem um lugar para colocar sua “biografia”, onde você “descreve quem você é” em 101 caracteres…

Mas vocês se deram conta do quão louco é isso? Quem, realmente, se descreve em 101 caracteres? Será que alguém consegue resumir-se em 101 caracteres? Continuar lendo

Máquina do Tempo Literária #1: A Herança

A Herança

2016-11-10-12-55-52

CAPÍTULO 1:

Fechando a tampa…

          O quarto inteiro cheirava a morte. Morte e silêncio misturados à uma tristeza tão inesperada que poderia beirar a hipocrisia; o que foi de percepção geral sem que ninguém o comentasse. Os familiares do velho Bartolomeu se espalhavam pela casa – cada vez mais lotada com a chegada das pessoas à medida que a notícia do falecimento se alastrava – encomendando discursos pesarosos e lágrimas espalhafatosas de vez em vez. Continuar lendo

Destrancando o baú: máquina do tempo literária

Gente bonita do kokoro!

Deu a louca na Liz e resolvi liberar algumas das histórias que já escrevi. São coisas passadas, algumas beeeeeem distantes. O objetivo nem é “publicar” essas histórias como algo sensacional. Até porque, nem estão “ohmeudeusoquecoisabemescrita” r tal. rs Mas sim que elas possam emocionar alguém aí, quem sabe, do jeito que me emocionaram. E me mostram uma coisa encantadora: o tempo. Como eu mudei, amadureci, me transformei e como a minha escrita — tão minha, gente! Tão espelho meu, as minhas histórias…rs — abraçou o tempo.

Essa experiência, portanto, é a minha “máquina do tempo” literária. Tomara que alguém goste aí!!!! ❤

A primeira história que vou liberar é um amorzinho chamado “A Herança”. Vou tentar criar uma página só pra ela, porque é maior do que moralmente é permitido que um post seja! hahaha

Edit: Deus do céu, como cria uma página para isso aquiiii????? hahahaha Enquanto eu não consigo resolver isso, vou publicando em capítulos, ok? Quem quiser, pode conferir co capítulo 1 aqui

Beijo, gente!!!

 

O que você vê? — Pontilismo muy loco

Oi, gente!!!

Quanto tempo! Como vão as vidas docês? Por aqui tá tudo meio merda, para falar a verdade… Foi mal a sinceridade, mas eu não ia mentir para vocês aqui.

Então, eu ando sumida porque estou na correria de estudar com o pouco tempo de sobra que tenho para conseguir entrar no mestrado. Não vou entrar em detalhes sobre isso agora, porque seria um daqueles posts looooooooongooooooooos que vocês sabem que eu faço quando as caraminhólas tomam conta da minha mente e, para além disso, é algo que está transformando toda a minha vida e minha escolha de devir. Acrescentando o fato de eu ter recebido um resultado negativo ontem sobre uma das duas provas que fiz, vocês podem imaginar que não estou muito felizinha para falar sobre isso diretamente agora.

Maaaaaaaaaaaaaaas o post de hoje acaba derivando desse contexto: a maneira que encontrei de estudar com a correria do dia a dia foi gravar a leitura dos artigos no tablet e ficar escutando o áudio enquanto faço outras coisas, como tarefas de casa ou quando espero meu irmão sair da escola. No tempo livre, até dá para escutar me concentrando mais e, para isso, eu preciso desenhar. Continuar lendo

Gênesis

Aprender algo novo é entender que algo nasceu e foi criado dentro da sua mente, te transformando em uma nova criatura.

Talvez seja por isso que eu acabo precisando de papel e caneta para extravasar esses desconexos processos de ruptura e transformação dentro de mim, quando estou aprendendo algo e transformando esse aprendizado em alguma coisa minha.

Esse foi o resultado da bateria de artigos dessa madrugada. Só não me pergunte ao certo o que eu fiz. Rs Só sei que tem a ver com sementes florescendo e me transformando… É assim que me sinto quando estudo sobre Educação. E sei tbm que não sou nenhuma artista, podem deixar. Só queria dizer pra vcs o quão nova estou.

Se me encontrarem na rua, deixem que eu me apresente de novo. Talvez nem me reconheçam.

Rs

20160830_022747

20160830_022819

20160830_022833

20160830_022844

20160830_022855

20160830_022904

20160830_022914

20160830_022930

20160830_022710

Beijo, gente.

Liz

Confissão #2: Os dedos em riste e a premissa da gentileza

********** Abrindo as portas do confessionário ***********

Deixa eu contar uma coisa pra você, que adora apontar o dedo pras mães na rua, pros colegas de faculdade, pros vizinhos. Não vai ser uma historinha feliz, então se você está atrás de felicidade de comercial de margarina e não aguenta uma dose de realidade bruta, não diluída, então caia fora. Hoje a Oficina não está para o seu gosto, não.

Ontem, mais uma vez, meu menino surtou. Ele tem TEA e quando surta, como é comum aos autistas clássicos, usa da autoagressão e agressão alheia para extravasar essa carga de energia. Não me pergunte o que causa os surtos, porque ninguém sabe. Ele só começa: tira os óculos, o casaco e larga os bonecos que segura, em todo e qualquer momento, tirando o surto, nas mãos. É um ritual simbólico para mim, agora que penso nisso… Para ter com violência para consigo e para com o outro, ele meio que abandona o seu “eu” consciente. Meio que deixa de ser o meu Shippo e passa a ser um conglomerado de violência. Para consigo e tudo o que ele considera parte de si. Ou seja, para comigo também.

Depois de horas naquela existência confusa e bruta, depois de lutar para enfiá-lo ainda a nos bater embaixo da água gelada, depois de machucar o meu pulso (já lesionado pela tendinite), depois de muito gelo e lágrimas, depois de se acalmar e seu olhar voltar a clarear, ele pediu pra comprar pão. O incidente, a dor, a angústia, a violência parecem ter ido parar num plano semiescondido da sua mente. Mesmo que ele tenha se batido tão forte nos lados da cabeça que eu tive que aplicar quase uma hora de gelo depois, mesmo que eu não consiga levantar os braços direito de tão machucados que estão. Mesmo que temporariamente, os fantasmas doloridos de sua mente se afastaram e eis que surge uma preocupação real: precisamos de pão.

Olhei para a bagunça ardida em que eu estava e pedi para tomar banho primeiro. A água fria caía nos arranhões no meu braço e eu sentia a farpada funda da dor, como um choquinho agudo. Tive certa dificuldade de segurar o sabonete e me dei conta de que precisaria aplicar um pouco de gelo ali também. Chorei, mais uma vez. Dessa vez, não da dor mas do vazio. Tentei rezar, em busca de algum significado que me preenchesse.

“Senhor Deus dos desgraçados…” — comecei, de novo. Mas respirei fundo e parei. O que eu pediria, que já não pedi? Me aquietei de novo no vazio, lembrando da hora que se passou. Sabem o que é estranho? Eu nunca havia começado uma oração assim. As palavras saíram da minha mente, como se estivessem se libertando de correntes pesadas, enquanto eu tentava conter meu irmão na cama e ele golpeava meus braços sem cessar. Me vi fechando os olhos e rezando baixinho:

“Senhor Deus dos desgraçados, por favor, ajude meu irmão. Por favor, ajude o meu irmão…!”

Uma, duas, três, incontáveis vezes essas frases saíram pequenas e trêmulas dos meus lábios. E percebi, depois, no banho, o porquê de elas terem saído assim, livres, de dentro de mim. Eu percebi que não era ao meu irmão que me referira naquela hora. Que, quando rezei pelo Deus que olhava os “desgraçados”, eu rezei por mim. Era assim que eu me sentia: desgraçada, no sentido real — sem graças, sem forças, sem nada. Saí do banho com essa nova perspectiva de mim mesma. Sou uma pessoa orgulhosa, então admitir que me sentia assim, abandonada de tudo, deveria ser um ato dolorido. Ao invés disso, me aquietou. Não era nada mais do que isso, entende? Eu não precisava mais fingir para mim mesma que eu me sentia maior do que isso; que era real a ideia de que eu sou melhor do que a sensação de abandono. Não sou, é óbvio agora.

Saí procurando por uma camisa de manga para vestir, de forma a ocultar os machucados do meu braço. Estava calor e percebi que ouviria o cometário bem humorado dos vizinhos quando passasse: “Eita, menina, que frio é esse que você está sentindo?!”. Seria acompanhado de uma risada de bom humor, como a selar a boa relação comunitária entre nós. E eu sorriria e daria de ombros, como quem diz:”ah, mas eu gosto assim mesmo” e seguiria em frente. Mais um início de noite na vida cotidiana. Passei 7 anos na universidade carregando casacos mesmo nos dias mais quentes. Às vezes, quando o calor começava a ficar insuportável, eu tirava para colocá-lo novamente logo depois; quando eu sentia os olhares nas machas roxas e arranhões em meus braços. Em resposta às brincadeiras em relação ao meu suposto frio, eu sorria e dava de ombros. Com o tempo, elas tomavam corpo de impaciência, como se o fato de usar casaco no calor do Rio de Janeiro irritasse os meus colegas. E eu meio que concordava com eles, talvez porque, lá no fundo, eu estivesse irritada também. Então, acreditava, a reação deles e sua brincadeiras não me afetavam, em absoluto. Mas percebi ontem que, na verdade, secretamente, eu meio que me ressentia delas. Mesmo quando eu explicava a situação, as pessoas só faziam uma cara esquisita — de pena/repulsa — e mudavam rapidamente de assunto. E percebi, agora, que eu me ressentia desse abandono.

Passei 7 anos na faculdade, quase cinco deles no Observatório também, e todos adoravam reclamar ou brincar do fato de que eu, não raro, caía no sono em cima do teclado do computador enquanto trabalhava na minha pesquisa. “Vai dormir em casa, menina!”, me acordavam. Ninguém nunca se perguntou que, talvez, eu não pudesse dormir em casa. Que minhas horas de sono eram usadas para estudar a matéria que eu não conseguia estudar durante os finais de semana e dias livres, porque meu irmão não deixava. Passei 7 anos na universidade arrastando meus problemas de saúde e tendo que ouvir, sorrindo e dando de ombros, meus colegas e professores dizendo que “você precisa se cuidar direito, vai acabar morrendo” sem que percebessem que, no meu caso, ou era me dedicar aos tratamentos ou ir pra faculdade porque na metade do dia em que eu não estava em aula, eu estava em casa cuidando do meu irmão para minha mãe fazer a faculdade dela. Nos dois últimos semestres, eu mal conseguia andar devido às dores na coluna e ainda assim, engolia a dor e ia para a UERJ. Mesmo assim, quando tive que fazer a integralização, ouvi professores me falando que eu “tinha potencial mas não me esforçava o suficiente” e “se você quisesse se tratar direito, já teria resolvido os seus problemas” e, o clássico, “mas o seu irmão não é responsabilidade sua, é isso que você não quer entender”.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entre as brigas dentro de casa para que eu conseguisse, ao menos, IR às aulas (obtendo, no processo, algumas reprovações por falta que andam dificultando muito a minha vida nos processos seletivos para o mestrado), até a batalha que foi para eu conseguir fazer a pesquisa — exigindo tempo que minha mãe e minha irmã pareciam não poder abrir mão, mas que eu, aparentemente, podia; tudo que se via, fora dos muros da minha casa, era uma menina sempre sonolenta, doente, de casaco, parecendo irritar as pessoas por estar em um lugar que, obviamente, não deveria estar porque “não se esforçava o suficiente”. Pouco importava que meu coeficiente de rendimento fosse muito acima da média dos alunos de Física, que minha pesquisa fosse altamente elogiada e condecorada dentro do ON, que eu tivesse que passar meus finais de semana no Observatório para dar conta. Tudo que eu tinha, para justificar o meu orgulho e me convencer que eu era uma “agraciada”, era sorrir e dar de ombros diante do franco abandono. Porque meu orgulho não permitira, de jeito nenhum, que me vissem como uma “coitada”.

Mas ontem percebi minha estupidez. Os dedos, firmes e cruéis, sempre estiveram em riste. E o que sobrou, afinal? Uma mulher de 25 anos que mal conseguia levantar os braços machucados para conter um garoto muito maior e mais forte que ela. Uma mulher que se deu conta de que não adianta mais usar casacos e sorrir da falta de gentileza alheia.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entendi que, sim, não tenho graças. Os dedos em riste sempre estarão lá, então por que não apontá-los para a verdade? Desisti da camisa de manga. Vesti uma regata branca e, para quem quisesse ver, estavam as marcas no meu braço e minha cara inchada de chorar. Deixe que apontem. Não esconder mais foi o maior gesto de gentileza que tive comigo mesma desde que nasci.

Então, gente, um pedido a quem estiver lendo isso: há sempre uma mãe que suspira, cansada e desamparada, na rua. Há sempre um vizinho que anda irritado, um estranho no trem cantando baixinho para si mesmo algum conforto em forma de canção. Mesmo correndo o risco de parecer arrogante, deixe-me dizer isso a vocês: vocês não sabem a merda que a vida pode ser. Esqueçam os comerciais e vídeos de formatura. A felicidade, para muita gente, não chega a nem perto disso. Para muita gente, terminar o dia bem significa que seu filho foi ele mesmo por um dia inteiro. E, mesmo assim, amanhã é sempre um novo dia.

Por isso, vale a máxima: Você não sabe pelo que as pessoas passam no seu dia a dia. Seja gentil, sempre.

Até.

*******As portas do confessionário estão se fechando agora ********

Dica de vício garantido: 5 a seco e a delicada realidade de viver

Olá gente bonita! Quanto tempo, hein???? Ai, eu sei que deveria vir com mais frequencia…. Desculpem!!! Se você é do tipo que acha que “desculpas” não são suficientes quando damos uma bola fora, então espera até o final do post de hoje para decidir se eu estou perdoada. Desafio  qualquer um de vocês a não me desculparem depois disso… Qual é?! Depois dessa dica de hoje, vai todo mundo querer rezar por mim antes de dormir, mesmo quem não acredita em nenhum”Poder Superior”. rs  Vocês vão querer me convidar para as festinhas de aniversário de seus filhos e/ou sobrinhos e escrever um memorial em meu nome quando ganharem um prêmio importante. U.U Apertem os cintos, senhoritas, senhoras e senhores que eu vou introduzí-los ao meu mais novo vício musical.

Façamos agora um pequeno exercício mental: Imaginem agora a Liz batendo na sua porta, com um sorriso de comercial de pasta de dente, e dizendo: “Bom dia! Você tem cinco minutos para ouvir as músicas do 5 A SECO? Sua vida nunca mais será a mesma!”

2016-06-28 18.52.43

5 a seco é um coletivo musical, formado por Pedro Viáfora, Tó Brandileone, Leo Bianchini, Pedro Altério e Vinícius Calderoni (na ordem em que aparecem na foto acima, da esquerda para direita); 5 músicos fantásticos. Ok, ok, eu não entendo NADA de música, formalmente falando, mas não sou só eu que diz que os caras são bons: o grupo já é sucesso entre os críticos, estando presente inclusive no Prêmio da Música Brasileira deste ano com o novo álbum, intitulado “Policromo”. Todos os cinco são intérpretes e compositores, revesando o estrelismo que, com tanto talento junto, não cabe ser moldado em protagonismos mesmo. Sério! A coisa toda é tão maravilinda que eu não entendo como não tinha conhecido o trabalho desses moços antes!

O grupo foi formado em 2009 e teve seu primeiro e *** APAIXONANTE ***  DVD em um show de 2011 no Auditório do Ibirapuera. Deixando os dados “técnicos” de lado, o que mais me encanta — além da óbvia qualidade musical — são as letras: delicadas, cotidianas e poderosas. Nos lembram o poder e a gentileza das relações que construímos na realidade; com tudo que existe ao nosso redor, com a vida, com o Amor, com o mundo. Querem uma palinha? Me digam, quanto de música existe nesse amor aqui embaixo chamado “Pra você dar o nome“?

O que?! Os corações de vocês já se derreteram de amor???? Nãnãnãnãnã, não, senhoritas, senhoras e senhores!!! AINDA TEM MAIS. Escutem “Mesmo quando a boca cala“, essa preciosidade aqui embaixo:

Nomes conhecidos e experientes da música brasileira, como Maria Gadú e Lenine,  já gravaram com eles. As músicas conseguem unir o simples, o emotivo e o encanto do que é real. Com arranjos perfeitamente complexos e queridos, cada uma das músicas é um convite à reflexão. É impossível não sentir a força de músicas como “Ou não“, que o grupo gravou com Lenine:

Isso aí, gente, é só um gostinho. Quer se  maravilhar mais? Os caras disponibilizam o download dos álbuns no site do grupo http://www.5aseco.com.br/ .

Agora me digam: estou desculpada ou não??? Parem de doce e VENHAM ME AMAR, GENTE! hahaha Por último, vou de “Deixe Estar” para garantir os cartões de agradecimento de vocês. hahaha Beijo, gente, e boa noite!

Beijooooooo!!!!!!

Liz

Ps: A imagem foi retirada do perfil oficial do grupo no Twiiter oficial do grupo: 5 a Seco (@5aseco)