Pensando na vida: Jenifer

2016-10-20-12-19-40

Olá a todos e todas!

Eu sei que faz muito tempo que não venho aqui… Na verdade, eu ando numa fase meio perdida, semi afogada em compromissos e trabalhos, e isso meio que está silenciando minha persona que aqui se alimenta de luz, cheiros e vislumbres de textos. São quase vinte rascunhos abandonados e tantos outros semi paridos na minha mente, que evito pensar nisso para não me sentir sufocada e meio estéril. Olhem a que ponto a gente se deixa levar pela vida, não é mesmo?!

Mas hoje, a caminho do trabalho, conheci Jenifer. Elx que, embora não faça qualquer diferença para a reflexão que me proporcionou, parece ser um homem trans: “Eu sou mulher, tia. Mas pareço homem, né? As vezes, eu tenho que me lembrar que não sou um”. Por este motivo, ao se aproximar de mim, cabelos rentes escondidos em um boné sujíssimo, imaginei que fosse mais um menino de rua que viria pedir algo. Sem erro: “Tia, compra uma comida para mim? Eu já consegui uns ‘pão de queijo’, mas preciso levar mais comida”.

Levava um saco amassado com com uns quatro pães de queijo dentro. E, nitidamente, esperava resistência da minha parte. Quando disse: ok, vamos ver o que consigo comprar. Caminhei em direção do Shopping e elx levou alguns segundos para me seguir. No meio da passarela, me parou:

— Tia, então posso trocar?

— Trocar? — respondi, confusa.

— Eu queria trocar: ‘invés’ do lanche, eu queria um pacote de fralda. Minha mãe tem neném em casa e eu queria levar fralda. Tem fralda de uns dez reais. Não precisa ser as caras, não. Só fralda barata mesmo. Nas ‘Lojas Americanas’ é mais barato.

Assim, Jenifer e eu entramos no shopping Nova América. De cara, era nítida a reação dos seguranças e clientes pelo local: como Moisés, sujx, pretx e maltrapilhx, Jenifer fazia o mar de gente ao redor se abrir para sua passagem. Mas não se fazia de rogadx: ia de segurança em segurança perguntar onde eram as “Lojas Americanas”, sob o jugo constante dos transeuntes que mecanicamente escondiam suas bolsas e apalpavam os bolsos na confirmação de que seus celulares permaneciam nos lugares em que foram deixados. Me perdi algumas vezes, como costuma acontecer quando vou ao shopping. rs. No caminho, íamos conversando sobre as dificuldades de viver na favela, sobre como cuidamos de ratos e moscas em nossas respectivas residências, das estratégias que elx — no Vigário Geral — e eu, em São João de Meriti, desenvolvemos para lidar com os tiros que açoitam a noite e o medo do dia.

Descobri que Jenifer tem mais dois irmãos e uma irmã, dos quais destacou Wallace — “o encapetado”, irmão mais novo, e Débora Vitória, a neném. Do mais velho, só citou a existência, mas calou-se em seguida. Não mexi na ferida, continuando a falar sobre as coisas que gostava de fazer. O futebol, por exemplo, foi facilmente identificado  como uma paixão. “Eu vôo, tia! Os moleque ficam doido comigo, porque sou mulher”, se gaba. Entusiasmadx, me pergunta se eu gosto de futebol também. Respondo que sou a maior perna de pau que conheço. Elx ri, confortável. Me pergunta o que gosto de fazer, então.

— Gosto de estudar. Por isso me tornei cientista.

A expressão de confusão é imediata. Sem rodeios, me pergunta:

— E o que é isso?

E, pega de surpresa, me vejo enrolada para responder. Tentei “eu estudo a natureza”. Não colou. Mais um “como assim?” veio na minha direção. “No meu caso, eu sou física. Eu estudo os fenômenos naturais. Como as estrelas, os furacões, a gravidade… “. A interrogação no rosto aumenta a cada resposta.

— E te pegam pra isso? Tipo, numa empresa?

Senti o coração esfarelar aos poucos, quando percebi a verdade: era o povo. O povo paga a minha pesquisa — por mais subvalorizada que um bolsista o seja. A minha e a de todos os graduandos, mestres, doutores e pós-doutores do Brasil. São pessoas como Jenifer, que nem sequer sabia o que era ciência e lutava contra infestação de ratos em casa. São pessoas que, como ela, nem sequem têm banheiro em casa. São os pretos e pobres do Brasil que pagam pela ciência. Feita por e para as elites, feita por e para brancos de classe média. Me senti envergonhada e mesquinha. Sou preta, sou pobre, sou favelada. Mas também sou cientista, sou professora, trabalho em um museu de ciências de referência do país. E, ainda assim, minha atuação profissional não chega a quem paga por ela. A quem pagou pelos meus estudos numa universidade pública, a quem paga e mantém as instituições de pesquisa no país. Isso é o fruto do alicerce da ciência no Brasil: quem paga por ela, não usufrui. 

Aos 16 anos, Jenifer ainda está no sexto ano e só foi ao museu uma vez na vida, pela escola, experiência que descreve como “parecia que a gente ‘tava em outro mundo”.  O ensino formal também não parecia ser sua grande referência positiva: “Repeti algumas vezes, tia” — sorriu, meio envergonhadx, meio debochadx — “às vezes fico de farra, sabe? A gente arruma um grupo de zona e vai. Mas, na real, a escola parece que não liga pra gente. De que adianta? Na escola, eles acham que a gente ‘já tem cara de mendigo ou de bandido’. Mas aí, a gente sai da escola e vira mesmo: ou mendigo ou bandido “.  Outro baque.

Perguntei, ainda sentida pela crueldade da fala anterior: mas tu ‘quer’ ser bandido?

Não o fiz de maneira incisiva, não perguntei para julgar. Moro num lugar em que crianças são ensinadas desde cedo a brincarem de “polícia e ladrão” e saberem fazer as onomatopeias próprias de cada tipo de calibre que já ouviram. Crianças que, nos seus cinco, seis anos, já imitam traficantes cheirando cocaína ou fumando maconha, enquanto seguram um fuzil-vassoura e  eventualmente “rendem” o amiguinho que ganhou o papel de vítima. Tudo isso, diariamente, seca cada vez mais o pouco de furor que eu tenho para com o mundo. Mesmo assim, a resposta me fez tremer:

— Não, né, tia. — responde, os olhos duros e amarelos — Por isso que tô aqui de mendigo, pedindo as ‘coisa’ pra senhora.

Comprei a fralda XG nas Lojas Americanas, sob o asco puro e transparente dos clientes. A expressão nos olhos daquelas pessoas me deu uma vergonha imensa. Eles não percebiam que, debaixo das camadas de sujeira, os chinelos imensamente maiores que seus pés, os olhos amarelos de fome, a fala rude e as unhas imundíssimas se encontrava uma pessoa que não só tinha orgulho de um talento próprio — seus “vôos” com a bola nos pés — como também tinha coragem o suficiente para se despir da “dignidade” e mendigar pelos seus. Um\uma sobrevivente, algo que os pequenos e medíocres transeuntes, no alto de seus entojos, jamais serão. Pois sempre tiveram a barriga cheia: de comida e de certezas de que bastaria se esforçarem para que sobrevivessem na vida.

Paramos na entrada do metrô. Jenifer ainda me “ensinou” como me portar com “os menó” que vem assaltar, no caso de alguém mexer comigo na rua:

— Tia, na vida a gente não pode mostrar medo. Põe a cabeça pro alto e encara eles, como quem tá mandando. 

E eu fiquei ali, admirada com força de vontade daquela pessoa tão imensa e tão mínima para o mundo… Antes de ir, como a sacar de vez minha tristeza e culpa para fora do meu coração, ainda completa:

— Tia, na escola vai dar essas coisas que a senhora estuda?

E, emocionada, fui obrigada a responder:

—  Sim, um pouco. Só mais pra frente.

E, me devolvendo o olhar certeiro — como se estivesse me cobrando uma promessa –, elx arrebata:

— Então vou esperar pra ver.

Entrei no metrô, sem segurar as lágrimas, rezando para todos os deuses que qualquer pessoa no mundo possa acreditar para que nem a vida, nem a pobreza, nem o próprio elitismo da ciência faça com que essa promessa seja quebrada.

Liz

 

Anúncios

Nas ladeiras de pedra sabão…

A gente sempre tem um momento na vida em que há um estalo e você sente que sabe que terá que deixar ir algo que segurou firme em suas mãos por muito tempo. Sabe? Quando você sente que… Simplesmente terá que deixar ir algo que não cabe mais na sua vida, por mais querido que seja? Pode ser um namorado, um emprego, uma relação com um amigo que, por alguma razão do destino, não dá mais.  Isso aconteceu comigo em 2015. No meu caso, eu respirei fundo e me despedi de um sonho. E posso ser sincera com vocês? Senti aquela tristeza solitária e compreensiva, como se, enfim, estivesse entendendo que era a hora de deixar minha infância para trás. Entender que aquele sonho provavelmente não era mais pra mim, não era mais meu sonho, foi uma das coisas mais difíceis e solitárias que já fiz. Como Wendy, ao pegar o navio de volta a Londres.  Meu “navio do Capitão Gancho” era feito em pedras sabão, pois ele é todinho a cidade de Ouro Preto.

2016-05-28 00.55.03

Descrição da imagem: A imagem mostra uma vista das casas ao redor do museu Tiradentes. Em primeiro plano, estão as pontas da amurada, trabalhadas em pedra sabão também na forma de um “pêssego invertido”, e hachurado. Em segundo plano, descendentes da direita para esquerda, formando a rua. E, ao fundo, estão as casas de arquitetura colonial, brancas de telhados com telhas cor de tijolo e portas e janelas em azul. A foto está num filtro que parece que foi desenhada.

Em Outubro do ano 2015, eu fui à Ouro Preto. A Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) desse ano foi lá e fui apresentar à comunidade acadêmica o trabalho apresentado na minha monografia. Eu sempre quis ir à Ouro Preto! Tenho uma queda grande por cidades históricas e raramente na vida saí do estado do Rio, onde nasci e moro, então estava super empolgada. Ou achava que deveria estar, sei lá. Na verdade, eu sou muito “caxias” e, em geral, quando vou a um evento acadêmico, eu realmente participo deste o tempo inteiro. Mesmo quando as palestras e sessões não são especificamente da minha área, em geral eu assisto. Sempre é uma oportunidade de aprender algo novo, né?

 

2016-05-28 01.03.54

Descrição da imagem: A foto mostra o topo de uma rua descendente em pedra sabão, ladeada pelas casinhas coloniais. Carros descem a rua, primeiro um azul, bem no início (topo da rua), perto do cruzamento onde a foto foi tirada e outro, mais avermelhado, distante, já na descida acentuada da rua. Ao fundo, os morros de casinhas e árvores da cidade de Ouro Preto. A foto está com um filtro que parece que os traços foram desenhados.

Mas, dessa vez, foi meio diferente.  No último dia, quando haveria a reunião dos grupos de pesquisa — dos quais eu não fazia parte mais — eu acabei saindo. Eu sabia que poderia ficar e assistir aos debates que durante quatro anos identifiquei como “da minha área” e conviver mais com a expertise daquelas pessoas que, acreditei por um tempo, seriam de minha convivência cotidiana em um futuro próximo. Mas, num ímpeto, saí. As cores se bagunçaram de forma muito intensa dentro de mim (lembram desse texto?) e eu saí dali. Eu subitamente soube que eu não deveria mais estar ali. Simplesmente desci as escadas e me impeli nas ruas estreitas e nostálgicas de Ouro Preto.

Eu não sabia ainda mas as ladeiras de pedra sabão guardariam para sempre a despedida da minha infância.

2016-05-28 00.51.36

Descrição da foto: Mais uma foto da amurada do Museu Tiradentes, agora voltando-se para o outro lado da praça. No outro lado da rua, mais casas e restaurantes de arquitetura colonial. As portas e janelas se alternam nas cores azul e amarelo. Ao fundo, as paredes do Observatório de Ouro Preto são sucedidas pela visão dos morros em verde da cidade. A foto está com um filtro que faz parecer que os traços estão desenhados.

 

Andar por aquela cidade sozinha me fez perceber o quão grande e poderoso é o tempo. Todas aquelas casas, igrejas a perder de vista, o observatório onde, na minha primeira noite na cidade, eu assistira ao magnífico eclipse total da lua, os ladrilhos no chão. Tudo retomava ao poder do tempo e sua majestade. Andei muito, subi e desci inúmeras ladeiras, fui ao museu Tiradentes, à casa de Claudio Manoel da Costa, andei pelas ruelas e feirinhas. Por fim, voltei ao centro mais uma vez e me sentei no obelisco, pensando em tudo que vi e ouvi nos últimos dias e horas, tentando entender o que era aquela sensação que borbulhava dentro de mim. Absorvendo passado e futuro, da cidade e meus. Ao meu redor, turistas e moradores andavam, tirando fotos com smartfones e câmeras de última geração sob aquelas pedras gastas pelo andar de inúmeras marcas dos anos. E o Tempo começou a sussurrar no meu ouvido, me mostrando com carinho o que Ele é capaz de fazer com  as coisas, as memórias, os sorrisos e as pessoas.

2016-05-28 00.58.01

Descrição da foto: Obelisco em pedra no centro da praça Tiradentes, em Ouro preto. Nas escadas que levam ao monumento, abaixo do mesmo, algumas pessoas estão sentadas, mexendo em celulares. Ao fundo do monumento está o Museu Tiradentes, uma imensa construção colonial em branco e pedra. Na lateral, estão as casas e restaurantes de arquitetura colonial.

E em como ele me moldou. Eu, que sempre me vangloriei de ser quase imune aos seus caprichos, de desafiar sempre seus anseios e destino. Me senti pequena, vulnerável, sozinha. Ponderei se deveria voltar ao congresso, à astrofísica, às minhas estrelinhas, tão minhas que sua companhia era confortável e simples. Foram minhas, meu sonho e devir, por tanto tempo! Por que fora embora assim, como se não me pertencessem mais?

E percebi que, não, talvez eu não mais voltasse para lá. Que havia, dentro de mim, algo que se despediu daquelas pessoas, daqueles devir, daqueles olhares de ver o mundo que, para mim, não mais se pareciam com os meus.

2016-05-28 01.00.59

Descrição da imagem: Mas uma rua descendente em pedra-sabão. No primeiro plano, no lado direito da foto, está uma placa de “proibido estacionar”. No final da rua, lá em baixo em segundo plano, está um marco de procissão, na forma de uma portal com paredes brancas, umbral amarelo e porta vermelha. Ladeando a rua, estão casas em arquitetura colonial e árvores cujas folhagens emolduram um céu muito azul e limpo. Ao fundo, em terceiro plano, estão morros com suas árvores verdes e casinhas coloridas brilhando ao sol.

E senti uma saudade imensa, porque por toda a minha vida até ali, estar ali, com aquelas pessoas, fazendo o meu trabalho com as minhas estrelinhas era o que me fazia ser eu. Era tudo que eu queria. E, naquele momento, percebi que talvez não fosse mais.

Vocês percebem? Nas ladeiras de pedra sabão, eu me despedi de uma parte de mim. A guardei com carinho na minha alma e, ao mesmo tempo, a deixei ir. E que coisa mais difícil, gente. Que coisa mais avassaladora é ter que se despedir de um sonho, de um devir.

2016-05-28 01.02.59

Descrição da imagem: A imagem mostra o marco da procissão, na forma de uma parede branca delimitada por um umbral amarelo, com uma porta vermelha ao centro também de umbral amarelo. A rua se divide no marco, descendo para esquerda e para direita a partir dele, com as pedras sabão do chão formando desenhos que parecem escamas no chão, à luz do sol. Em segundo plano, estão as inúmeras casinhas coloridas da cidade, todas em arquitetura colonial, e atrás, os morros em verde e cor.

Quando entrei no ônibus para voltar e, pela janela, as torres e torrezinhas das igrejas iam ficando menores, e as cores das casinhas crescentes em ladrilhos intermináveis iam se apagando, deu uma dorzinha no peito, uma sensação de solidão e nostalgia que eu não sei explicar.

“Adeus”, eu disse em  pensamento. Não me dirigia à cidade, mas sim para mim mesma, à pequena Bi que acenava em despedida, sozinha, chorosa, feliz e triste, lá do Centro de Convenções em que tinha conseguido mostrar aos seus pares a concretização de seu sonho de uma vida inteira e que, súbito e chocantemente, acabara por decidir ficar lá. Tive um pouquinho de vontade de chorar, confesso. Mas, em troca, dei um sorrisinho de amor e gratidão. Ela me guiara até ali. Ela me afagara nos momentos de incerteza, desamparo e dor. Aquele sonho, de estudar as estrelas para todo a minha vida, me mantivera viva por todo esse caminho. Então tentei sorrir, mesmo que timidamente. Porque, por mais que fosse um pouco triste (e um pouco doce), aquilo não era só tristeza, não.

Era o futuro e a sensação de que ele tinha acabado de chegar. Bem ali, nas ladeiras de pedra sabão da cidade de Ouro Preto.

Liz

O que você vê? — Pontilismo muy loco

Oi, gente!!!

Quanto tempo! Como vão as vidas docês? Por aqui tá tudo meio merda, para falar a verdade… Foi mal a sinceridade, mas eu não ia mentir para vocês aqui.

Então, eu ando sumida porque estou na correria de estudar com o pouco tempo de sobra que tenho para conseguir entrar no mestrado. Não vou entrar em detalhes sobre isso agora, porque seria um daqueles posts looooooooongooooooooos que vocês sabem que eu faço quando as caraminhólas tomam conta da minha mente e, para além disso, é algo que está transformando toda a minha vida e minha escolha de devir. Acrescentando o fato de eu ter recebido um resultado negativo ontem sobre uma das duas provas que fiz, vocês podem imaginar que não estou muito felizinha para falar sobre isso diretamente agora.

Maaaaaaaaaaaaaaas o post de hoje acaba derivando desse contexto: a maneira que encontrei de estudar com a correria do dia a dia foi gravar a leitura dos artigos no tablet e ficar escutando o áudio enquanto faço outras coisas, como tarefas de casa ou quando espero meu irmão sair da escola. No tempo livre, até dá para escutar me concentrando mais e, para isso, eu preciso desenhar. Continuar lendo

Gênesis

Aprender algo novo é entender que algo nasceu e foi criado dentro da sua mente, te transformando em uma nova criatura.

Talvez seja por isso que eu acabo precisando de papel e caneta para extravasar esses desconexos processos de ruptura e transformação dentro de mim, quando estou aprendendo algo e transformando esse aprendizado em alguma coisa minha.

Esse foi o resultado da bateria de artigos dessa madrugada. Só não me pergunte ao certo o que eu fiz. Rs Só sei que tem a ver com sementes florescendo e me transformando… É assim que me sinto quando estudo sobre Educação. E sei tbm que não sou nenhuma artista, podem deixar. Só queria dizer pra vcs o quão nova estou.

Se me encontrarem na rua, deixem que eu me apresente de novo. Talvez nem me reconheçam.

Rs

20160830_022747

20160830_022819

20160830_022833

20160830_022844

20160830_022855

20160830_022904

20160830_022914

20160830_022930

20160830_022710

Beijo, gente.

Liz

Marzipã…

Faz um tempo que eu assisti a esse vídeo no youtube… Ele simplesmente apareceu na minha timeline no dia em que eu voltava de um passeio à praia de Ipanema, em uma noite fria e doce de abril. Fazia uma semana que eu tinha voltado de uma viagem a Paraty e eu estava meio que redescobrindo meu relacionamento com meu namorado. Estávamos juntos há mais de 8 anos, então. Se quiserem, assistam (ou melhor, ouçam) a declaração de um noivo para sua noiva em seu casamento.

Depois de assistir à uma declaração tão… verdadeira, eu fiquei meio em choque. Porque naquela noite, naquela exata noite, meu namorado havia — sem perceber, aparentemente. Ele é quase uma pedra nesses assuntos… — me dado um presente inestimável. Ali, os pés mergulhados na areia fina e constantemente lambidos pela espuma da água fria, onde tudo no mundo se calava diante do barulho das ondas, ele me abraçou por trás e me agradeceu.

“Obrigado.”

A voz era pequena, baixa mesmo, quase um sussurro espantado. No início, eu não entendi.

— Pelo quê? — perguntei.

E eu senti, como se soprada pelo mar, a respiração dele esquentar a minha nuca. Ela escapou do nariz com o alívio e a solidez de uma confissão. As palavras vieram contidas e fartas. Um sussuro no tom da espuma que tocava os meus pés. Eram estranhas aos meus ouvidos porque aqueles lábios não costumavam deixar escapar coisas assim. As palavras miúdas  que chegaram ao meu ouvido direito foram:

“Porque você me fez uma pessoa melhor”

Eu demorei muito tempo para conseguir entender essa frase. Provavelmente, eu ainda não a entendi em sua completude. Entendam, meu namorado nunca fora uma pessoa ruim ou torta. Eu não vejo como eu poderia ter transformado a sua vida de maneira tão imensa. Então eu não entendo bem o que isso significa mas…

Uma coisa eu entendi: eu mudei a vida dele para toda a sua existência. E ele, a minha.

Eu não sei se meu namoro de 9 anos  durará mais um dia ou mais um ano ou mais uma vida. Essas questões filosóficas estão além da minha compreensão imediata e não me importo com isso. Durará o tempo que tiver que durar, será o que tiver que ser e todas as frases clichês acerca do destino que vocês consigam pensar podem ser adicionadas aqui.  O que importa, é que eu possa reconhecer o valor dessa história pelo resto da minha vida. Que seja algo absolutamente precioso, da sua maneira.

Por isso, quanto tempo ele continuará ao meu lado e eu do dele, eu não sei nem me importa saber…

Porque, gente, as marcas deixadas pela existência de um amor — mesmo que um dia ele acabe (ou não) é que são importantes. Tudo que importa, na verdade mais íntima da memória, é o que vivemos juntos. Afinal:

Tudo que  sei — e que me importa saber — é que, no início, eu era uma garotinha irritante e tagarela, que estudava na turma de reclassificados e era terrível nas exatas; e ele saía de perto quando eu chegava porque não suportava nada em mim, nem minha presença, nem mesmo o meu jeito de falar.

Tudo que importa é que ele era um eremita inteligente e antissocial, estudando numa das melhores turmas da escola, sempre tirando as melhores notas sem precisar nem estudar e eu o achava meio estranho por nunca abrir a boca para falar.

E depois, ele não queria olhar para mim… Mas de tanto eu irritá-lo, ele sorriu.

E depois, eu não queria me apaixonar por ele… Mas quando ele passou a sorrir, eu caí.

E ele acabou procurando o meu olhar , todos os dias.

E eu acabei me  apaixonando por ele, em todos os sorrisos.

E ele nunca disse “Você é minha vida” e também nunca me chama de meu “Meu Amor” (só por deboche.. =p). Mas me abraça e agradece, me traz doces e sorri — como se ninguém estivesse olhando. Ele nunca disse para que eu não usasse saia de prega e penteasse o cabelo. Na verdade, ele tira o arco que uso no cabelo e esfrega ainda mais os cachos, e eu fico toda desmontada, com o cabelo apontando em todas as direções e um sorriso no rosto.  Ele reclama dos doramas e seus clichês, mas quando eu entro no carro quando ele vai buscar-me na universidade, o celular já está pronto para passar o último episódio do meu dorama favorito… E quando passo semanas estudando, desesperada, e ficamos sem nos encontrar, a voz dele no celular fala “Dê o seu melhor” ao invés de “Vem me ver!”…

E eu pergunto: — Você não se irrita mais? Com o meu jeito?

E ele responde: — Não… Isso tudo é você.

“Eu te adoro!”‘

E depois de 9 anos de um beijo desencontrado no ponto de ônibus,

E depois de algumas lágrimas, muitos doces e beijos encontrados,

E depois de surgirem olheiras e cabelos brancos,

Da escola ser trocada pela faculdade e empresa e cansaço, 

Ele ainda me abraça na Beira do mar…

Como se eu fosse algo profundamente precioso,

Como se tivesse provado do marzipã mais doce,

E tivesse se dado conta que o sabor das amêndoas moídas 

Faz com que se sinta em casa.

Obrigada, Thiago.

 Liz

Todo mundo é figurante

Gente, que saudade de vir aqui!!!!!!!!!!!!!!!!!!  Sim, eu tenho milhares de coisas para entregar / fazer para semana que vem (que promete ser uma das mais tenebrosas de toda a minha graduação. O que, acreditem: é alguma coisa…) mas é que uma frase está martelando na minha cabeça de forma tão grotesca, que não tem como eu deixar mais de lado: “Eu não sou figurante!” é o mais novo hit do meu cenário mental.

E tudo isso por causa de Harry Potter… Para quem não sabe, eu sou Potterhead de carteirinha desde a infância. Mais do que isso: Eu sou da Lufa-Lufa (Hufflepuff,  no original). Sim, senhores! Vou colocar em caps lock, só pra parar de ouvir o mimimi: EU – SOU -LUFA-LUFA. Com muito orgulho, viu? Pronto. Graças a Deus.  Mas quando eu disse isso a um colega de universidade, ele me respondeu enfaticamente: “Coitada! Eu sou da Grifinória, não nasci paraser figurante! “

Tive vontade de rir. E ri mesmo, na cara dele. É muita arrogância gente, ter que escutar uma coisa dessas quase 22h da noite. “Querido, todo mundo é figurante.”, respondi, ainda gargalhando. Ele ficou um pouco chocado e me retrucou, meio ofendido, que “Ele não era, claro que não!”. 

Ficou chateado, gente, meu amiguinho, só pela simples menção de que ele não era a última coca-cola do deserto. Pela menção de que ele é um mero figurante no destino do mundo. Filho, a verdade dói mas todos somos figurantes. Somos protagonistas da nossa própria história, ou pelo menos é por isso que devemos lutar, todos os dias. Mas se você quer ser protagonista da história de outra pessoa: cara, você tem um problema sério. De verdade, procure ajuda porque o que está rolando não é legal.

Gente, pode parecer estranho, mas na grande maioria das vezes ser figurante é o melhor do que você pode ser: porque significa apoiar alguém, viver não só por você, deixar os outros brilharem, ajudar sem pedir nada em troca.  Eu não preciso estar nos holofotes da história de ninguém, eu já brilho na minha. Eu me orgulho de ser figurante na história da minha família e dos meus amigos. Quando falo deles, é dos feitos que realizaram e não da minha participação neles. Porque é a vez deles de brilharem.

Eu sou Lufa-Lufa, pessoal. Na história original de HP, caso não lembrem, a minha Casa foi a segunda que ficou em maior número para lutar na Batalha de Hogwarts, mesmo não tendo ligação direta com a Ordem (metade da grifinória é composta pelos weasley mesmo… U.U hahaha). E é  a casa que menos perdeu estudantes, aliás. Mais do que isso: pertenço à Casa com o menor número de bruxos das trevas que existem e já existiram. Se não fossem os Lufas-Lufas, figurantes à beça, graças a Deus — até porque a história era do Harry e não minha… hahaha – não teria ninguém para guardar a ala oeste do castelo e a ponte ficaria totalmente à merce  dos comensais. Sabem o que é maravilhoso?

A história é contada pelos ídolos e tal. Mas ela é feita, no duro, pelos figurantes. Então, quer saber? 

Somos todos uns puta figurantes!

Ainda bem 😀

“You might belong in Hufflepull, where they are just and loyal. Tohes patient Hufflepuff are true and unafraid of toil”. Traduzindo: “Você talvez pertença à Lufa-Lufa. Onde eles são justos e leais, verdadeiros e sem medo da dor.” :3

#HufflepuffPride

hahaha

Beijo, gente!

Liz.

Aaaaaaaaaaaaaaaaah!!! Não consigo escrever!!!!

Gente, estou enlouquecendo!

Tenho tanta coisa para fazer, estudar, tantos trabalhos a entregar que… NÃO CONSIGO ESCREVER! Eu nem consigo produzir o que preciso para faculdade, nem consigo produzir o que eu gostaria para meu ócio…

Arg!!! Não é só falta de tempo, não: é como se eu estivesse travada. Começo textos que não termino; faço mil rabiscos mas não desenho, cantarolo músicas e não chego nem no refrão. Nem dormir direito eu consigo mais. Tudo por causa desse final exaustivo de faculdade, que está sugando cada gota de boa vontade e arte que corre nas minhas veias.

Já passaram por isso? Essa vontade louca e insandecida de gritar, não fazer nada que deve, jogar tudo pro alto e ir para as montanhas; lutar com tigres, ficar debaixo de cascatas e meditar até virar alguém com um futuro respeitável?????

Ok, ok… Talvez não precise ir tão longe… So dar um tempo, resolve? Sair pelos centros culturais do Rio seria uma onda refrescante para mim… Mas eu não consigo abandonar os compromissos de uma hora para outra…

E vocês? Alguma ideia para me tirar dessa pressão do inacabado?

Ajudem à essa aspirante a louca, por favoooooor!!!!

Beijo!

Liz.