Eu não visto 38!

Oi genteeeeeee!

Sim, sim… Eu sei que ando sumida! Mas a vida está sambando na minha cara e – infelizmente – vir aqui na Oficina tem se mostrado tarefa de grande complexidade. Tristeza de vida de gado… Bem,  hoje é dia de bagunçar!!! Fazia tempo que eu não escrevia para o “Sendo bagunceira”!

Enfim, o post de hoje é derivado da experiência sanguinária de conseguir encontrar um vestido para comprar que eu gostasse e que coubesse no meu corpitcho 40 –  42. Olhem, não se deixem enganar pela aparente simplicidade dessa tarefa! Eu descobri –  ou melhor, redescobri — que se você é gorda, encontrar um vestido para ir à uma festa pode ser uma das jornadas mais causticantes da sua vida. Se Héracles vestisse manequim G, teria sido fácil,  fácil, para a três vezes chata da Hera liquidar seu enteado indesejado. Bastaria arrumar uma festança no bairro e deixar que ele perdesse todas as suas forças andando de um lado de um lado para o outro,  percorrendo as cidades-estados uma a uma, atrás de uma toga nova que lhe servisse…

Essa foi mais ou menos a minha jornada na busca se um vestido pelas lojas do Centro do Rio…   Eu confesso que sempre odiei comprar roupa e que poucas técnicas de tortura me seriam mais eficientes do que a interminável maratona põe  – vestido – tira – vestido. Tudo derivado, acredito, de uma infância marcada pela obesidade até os 10 anos de idade, os gritos de “gorda, baleia, saco de areia” e algumas risadas debochadas de primos e amiguinhos de escola. Isso tudo aliado às lembranças escabrosas de ir comprar roupas no shopping e perceber que as roupas que eu gostaria de ter, jamais caberiam em mim.

Revivi tudo isso nesta tarde do centro. E, graças a Deus, agora consigo ver isso com um mínimo de consciência…

Eu sempre gostei dos vestidos de uma marca muito fofa, chamada “Maria Filó” e, quando vi a possibilidade de poder comprar um vestido legal, foi para lá que corri de primeira. Fazia um tempo que eu não saia para comprar roupa e, ao levar em consideração que eu engordei muito nos últimos anos, a resposta à pergunta “Qual o tamanho?” feita pela bonita atendente foi, sem pestenejar:

— Acho que já devo estar usando “G”.

Mas não haviam muitos vestidos “G” na loja. Na verdade, haviam tão poucos que chegava a ser ridículo — e nenhum deles era o que eu queria. Nas araras, filas intermináveis de vestidos 36 e 38… Ficamos (minha mãe e eu) de voltarmos mais tarde, caso não encontrássemos nada mais que me agradasse.

Entra loja, sai loja. E nada de um vestido “G” legal. Nas poucas lojas que tinham os vestidos que eu gostava em tamanho “G”–  lojas CARAS. Onde os vestidos mais baratos eram na faixa de 300 dilmas, pelo menos — o vestido ficava amarrado em mim de uma tal maneira que eu tinha dificuldade de tirar. Principalmente no busto. Vejam bem, o vestido “caía” mas ficava desconfortável. E eu não suporto roupa desconfortável. Em todas as lojas em que experimentei um vestido “G” / 40 / 42, o resultado era o mesmo: não cabia em mim.

O que é estranho, é que quando vou à lojas “de departamento”, eu ainda visto — na maioria dos casos — manequim 40/42 ou roupa tamanho “M”. Mas nessas lojas — onde me deparei com uma seleção de vendedoras magras e esguias, cinturas finíssimas e clientes do mesmo molde, todas muito bem arrumadinhas, penteadinhas, cabelinhos montados e salto — eu não conseguia caber nem mesmo em um “G”. E nunca tinha “XG”. Perguntei, em uma delas, se havia um tamanho maior e a vendedora — loirinha, top rendado e saia longa. Macérrima a ponto de parecer quebradiça — que, por sinal, me olhara da cabeça ao pés quando entrei — acho que porque eu estava toda trabalhada na calça de yoga cinza, camisa de malha azul e tênis sujo, o cabelo apontando para Deus e todos os santos — reprimiu o risinho de deboche e disse:

— Não, querida. A gente só trabalha até “G” mesmo.

E me pergunto: POR QUE?

Prestem atenção a isso, é um ponto importante: Essas lojas, dos vestidos que a gente vê nas revistas e deseja ardentemente, só trabalham até “G”. Essas lojas tem fileiras intermináveis de vestidos “P” e “38” mas não tem um “46”. Nem mesmo um “42”, na maioria das vezes. Mesmo o manequim médio da brasileira sendo, na verdade, o “42” E NÃO O “38”. Gente, POR QUE NÃO EXISTEM VESTIDOS DE MARCA BONITOS PARA GORDAS, AFINAL?

E, me perdoem se soa “teoria da conspiração”, mas me parece que caímos na eterna palhaçada da representatividade. Se querem saber, vou meter o dedo na ferida, sim: Não tem vestido para gordas porque não é interessante para essas marcas serem representadas por gordas. Porque quando um pessoa veste uma marca, ela está — de certa maneira — representando a essa marca. É a propaganda do produto mais eficaz: vendê-lo a quem queremos que o represente. E, para vender “beleza”, “estilo” e “elegância”, só podemos contar com as barbies de cintura finíssima e pernas finas. Porque é assim que a “BELEZA” é: magra.  Querem saber?

TÁ FEIO, GENTE. Cansativo demais. Mesmo.

Rodei lojas e lojas naquele dia. Minha mãe me olhava como se eu tivesse 10 anos de novo e não conseguisse comprar uma roupa para eu usar no meu aniversário. Ela estava magoada, envergonhada, triste. De repente, ela parecia acreditar que a sociedade estava me dando mais um grito de “Gorda, baleia, saco de areia” e me dizendo que eu não poderia usar um vestido bonito, porque não poderia ser bonita. Porque eu sou gorda. Eu olhei para ela e tentei dizer que já esperava por isso, que estava decepcionada e cansada mas não triste.

No fim, voltamos à Maria Filó, onde a atendente – coitada! Ela tentou bastante — desencavou um vestido bonito e me deu para provar. Não era o meu estilo, na verdade, mas até que era bonito. Como esperado, o vestido entrou normalmente mas faltava fechar o ziper na parte de trás. E, como esperado, meu busto foi apertado em um nível que meus peitos quase tocaram o meu queixo, e eu imediatamente senti que não suportaria ficar uma noite inteira com ele. Olhei o preço: quase o dobro de todos os outros. Porque, claro, esse vestido era especial. Esse vestido cabia “em gordas”, é claro que custaria muito mais que todos os outros…

E pensei nos meus pobres peitos, comprimidos naquele pedaço caríssimo de tecido…

E escutei — distante e sem significado — a atendente e minha mãe me dizendo que eu fiquei linda… (de fato, fiquei bastante curvilínea no vestido. O corte favorece meu tipo de corpo…)

E olhei para todas aquelas meninas magras e pintadas ao meu redor — fossem atendentes, fossem clientes.

e decidi:  — Não cabe em mim.

Outro dia, fui ao shopping Nova América, andei um pouco, achei um vestido longo lindo numa vitrine da Chiffon. Entrei, confiante:

— Senhorita, quero aquele vestido da vitrine. — e antes mesmo que ela perguntasse: — Quero um “G”.

o “M” cabia melhor… rs

Mas levei o “G”, por causa da estampa maravilhosa. E pedi para minha tia adequar a alça.

Acinturei com um cinto preto.

E quando me olhei no espelho…

— Gente, que gorda DELÍCIA eu sou! — hahahaha — Tô linda!!!

Porque EU NÃO VISTO 38!

Beijo,

Liz.

Quem nos olha de lá de cima

Ok, falemos de religiosidade. Falemos de respeito. Falemos de fé ou da falta dela. Não é um assunto fácil, mas depois de ver uma mãe meio enlouquecida, gritando no meio da rua com seu filho por informá-la que era dia de “São José”(porque na sua mente destorcida aquilo é “coisa do diabo”) e lançando maldições absurdas contra o próprio filho “pecador”, isso ficou latejando na minha cabeça.

Percebi que tive muita sorte, em relação à maneira como fui conduzida à escolha da minha própria religiosidade. Minha mãe e eu temos diversos problemas de relacionamentos — como quase todo mundo, eu acho… — mas nunca tive problemas deste tipo. Para começar: minha mãe é candomblecista mas nunca, nem por um momento, me disse que eu também deveria ser. Ela nunca sentou comigo e disse que estava na hora de eu fazer o santo ou me pediu para frequentar as festas do Ilê Omolu e Oxum, sua Casa. Ela nunca me pediu para usar branco na sexta-feira em respeito a Olorum. Na verdade, eu fui crescendo meio que à parte de sua religiosidade, até que me dei conta de que minha mãe não rezava como as “tias” da escola pareciam insinuar a cada evento escolar: “Obrigada a Deus”, “Papai do Céu fez você assim”, “Vamos agradecer a Jesus”. Nunca tinha ouvido minha mãe falar coisas assim, diretamente religiosas (embora ela fale, sim, a primeira expressão de vez em quando…). Sabe quando eu me dei conta de que haviam religiões no mundo? Quando perguntei para ela o que era o Natal. Na escola, quando chegava dezembro, todo mundo falava de Natal e de Jesus e do Nascimento de alguém e eu nunca tinha entendido bem a relação entre essas coisas e a comemoração anual que juntava toda a minha família na casa da minha avó. Ela, que tinha feito catecismo e crisma na infância, sentou-se comigo e com a minha irmã e nos contou a história  sobre a uma Profecia que anunciava a chegada de um Deus-menino à Terra, sobre a maldade de Herodes e sobre anjos e reis. Ela gastou um bom tempo dizendo que esse bebê que nasceu, segundo se conta, virou um homem muito bom, que ensinou às pessoas sobre amor e igualdade, sobre dividir e respeitar e que acabou morrendo porque as pessoas não entenderam direito sua mensagem. Ela contou que algumas pessoas acreditavam que esse homem era Deus e que ainda estava vivo, olhando por todos lá do Céu. E que o Natal existia para comemorarmos sua vinda ao mundo e como ele foi uma pessoa maravilhosa e santa.

Quando crescemos mais um pouco, e começamos a entender que existiam diferentes formas de religião, ela achou que podíamos nos influenciar pela religiosidade que o mundo parecia achar “correta”, a religião que nossas amigas seguiam e proclamavam e passou a nos apresentar todas as possibilidades de fé que estavam ao seu alcance. Pediu para sua melhor amiga — que era católica — nos levar à missa. Ao mesmo tempo, pediu à uma vizinha nossa, que é espírita cardecista, nos falar sobre o espiritismo e depois nos levou à festa da minha avó, quando ela fez o santo, no candomblé. Contou-nos um pouco sobre a mitologia dos Orixás, leu uns livrinhos com algumas histórias. Ela disse que precisávamos entender o que era religião, que precisávamos escolher o que nosso coração achava que era verdade. Ela disse que existiam outras, muitas outras, e que existia gente que não acreditava em nenhuma, mas que não conhecia ninguém que poderia nos apresentar a respeito. Disse que, se quiséssemos, poderíamos procurar a respeito sozinhas quando estivéssemos crescidas e que estava tudo bem, não importava no que acreditássemos ou se não acreditássemos em nada além do amor entre as pessoas.

Quando, por fim, dissemos que acreditávamos em Jesus e nos santos católicos, ela nos ensinou a rezar a Ave Maria, o Pai Nosso, o Credo e a Salve Rainha. Essa é uma lembrança muito especial, pois ela mesma não se lembrava direito das duas últimas e ficou longos minutos, concentrada, de olhos fechados e mãos juntas, tentando se lembrar dos versos com exatidão. Parecia tão compenetrada! Me lembro de seus lábios cerrados, a prega entre os olhos, a serenidade de apresentar às filhas a religião que ela não escolheu, mas que respeitava como todas as outras. “As pessoas costumam rezar de joelhos, como reverência, mas vocês podem falar com Deus do jeito que quiserem. Se vocês acreditam Nele, Ele sempre ouvirá vocês. Não se preocupem”, nos ensinou. Quando nos contou sobre a morte de Jesus e sua ressurreição, eu chorei de dó, tristeza e amor e ela me consolou sobre a crueldade do mundo, dizendo que Ele ainda vivia, que estava olhando por todo mundo, que sempre protegeria e amaria a todos. Um tempo depois, minha mãe — Filha de Yemanjá, hoje Ebomi e Mãe de Santo — comprou um terço para nós. E nos ensinou como rezar com ele. Não havia Bíblias na minha casa, mas ela nos ensinou os salmos de que se lembrava e nos contou sobre os santos que conhecia. Mas não nos levaria à Igreja: “Eu não sou Cristã, então não vou à missa. Não significa nada para mim, então não faz sentido eu estar lá. Mas quando vocês crescerem, se quiserem ir, vão”.

Vocês percebem? Minha mãe me ensinou sobre RESPEITO não com palavras, nem com ditados, mas com GESTOS. Minha mãe me ensinou, desde pequena, que minha fé não é melhor do que a dela; que meu coração não precisa acreditar na sua Verdade. Naquela noite, sentadas na cama dela, com o terço nas mãos, minha mãe me ensinou mais sobre tolerância e respeito e amor ao próximo do que milhões de  sermões. Hoje, nossas Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima estão ao lado de sua Yemanjá no alto da arca no corredor; o quadro de seu Pai Oxóssi — O Caçador — está ao lado do lugar onde não muito tempo atrás estava pendurado nosso crucifixo (o suporte arrebentou e ele acabou caindo); no dia 12 de outubro — Dia de Nossa Senhora Aparecida — ela sabe que nós ficaremos um bom tempo rezando terços antes de sairmos do quarto para tomar café e não deixa ninguém nos atrapalhar, nem mesmo meu irmão. Porque ela sabe, do fundo do coração, que é algo sagrado para nós. Porque ela sabe, do fundo do coração, que essa é a nossa Verdade.

Minha mãe jamais gritaria comigo na rua se eu falasse que era Dia de Nossa Senhora Aparecida. Minha mãe não me amaldiçoa quando faço o sinal da Cruz ao passar na frente de uma igreja. Minha mãe estará de pé na igreja, emocionada, no dia em que finalmente fizer minha crisma; assim como eu fui na festa em que completou sete anos de santo.

Porque nós três (minha irmã, minha mãe e eu) temos algo em comum: Temos a consciência de que quem nos olha lá de cima, na verdade, está no nosso coração e no nosso amor. Está nos nossos gestos, no nosso andar sobre as estradas do mundo. Então, gente, ensine o que minha mãe me ensinou quando seus filhos perguntarem sobre religiosidade: “Se o que você acredita prega o bem aos outros, se te faz uma pessoa melhor, então está tudo bem. Não importa se a gente dança, reza, canta ou não faz nada. O que importa, é sermos boas pessoas”. 

Porque quem nos olha a todos lá de cima, é o Amor.

Pensem nisso, ok?

Beijo,

Liz.

Quanto vale o seu dinheiro?

Ok, essa vai para a categoria (abstrata, meu povo… Não tem essa categoria aqui na Oficina!): Posts que a maioria das blogueiras não querem e não gostam de ler. Ok, no bem da verdade, a maioria esmagadora dos posts daqui da Oficina não interessam muito à comunidade da “blogosfera” como um todo — coisa que, desculpem a franqueza, mas não tô nem aí. Mas o conteúdo deste post deveria interessar a todo mundo, principalmente às muitas meninas e meninos que vivem se matando pelas roupinhas/acessórios/perfuminhos/ sabe-se lá mais o que por aí e que fazem suas vidas dedicadas a isso. Inclusive, via blog.  Então, sim, hoje o post é uma crítica. Não uma sátira, não uma indireta, não é uma picuinha. É uma crítica. E críticas servem para você avaliar o que está sendo dito e montar uma opinião analítica em cima disso. 

Quando li um artigo no site do Catraca Livre, tudo que me veio à cabeça, além de uma vergonha — própria e alheia — foi a lembrança de quando fui ao Shopping Village Mall, na Barra da Tijuca (Zona oeste do Rio de Janeiro) para ir à exposição do Game of Thrones e me deparei com uma loja que vendia uma bolsa por um preço… Gente, OBSCENO é a única palavra que eu consigo encontrar. Eu nem lembro direito o valor, mas lembro que eu fiquei chocada demais. Lembro de ficar olhando para a vitrine e me perguntar o que tinha ali que fazia aquele pedaço de couro com alças valer mais do que o salário médio do brasileiro.  Para mim, era só uma bolsa. Mas para mulher que andava na minha frente, acompanhada de sua filha adolescente, era “A bolsa”. Digo “A bolsa” porque elas a acharam linda e que levariam, de todo jeito. Entraram na loja — de fato, muito bonita, arrumada e sofisticada — e não hesitaram em pedir à atendente para ver A bolsa “maravilhosa”. Seus olhares me deram calafrios: olhavam para aquele pedaço caríssimo de couro com uma veneração e contentamento que tive que desviar o olhar. Eu me senti espionando um ato de extrema intimidade, algo quase sexual.  E aí, você pensa: “tá e o que isso tem haver com o post, no final das contas?”

Eu respondo: Se vocês não foram lá no Catraca Livre, deixe-me explicar: o artigo trata de uma campanha, promovida pela ONG Cordaid sobre o consumismo no mundo. Sobre como uma pessoa gasta com uma bolsa OITO VEZES a quantia necessária para uma pessoa conseguir comprar a base de calorias necessárias para comer durante UMA SEMANA. 

Bolsa €32,00/ Comida por uma semana €4,00 – Foto: Gutewerbung

Os números são um soco no estômago de qualquer um… Vocês sabiam que “aquele óculos tendência” que vocês tanto querem equivale a três vezes o valor necessário para que uma pessoa tenha acesso à água em regiões como a Camboja e outras áreas de conflito?!

Óculos de sol €24,00/ Acesso à água €8,00 – Foto: Gutewerbung

É claro que eu sei que vai ter um monte de gente com “argumentos”  contra a ideia de que você deve ter um valor social para aquilo que compra (aquela história de que “se o dinheiro é da pessoa, ela tem direito de comprar o que quiser”).  Vai ter gente que — se chegar a ler isso aqui — vai me chamar de “pseudo comunista” e vai perguntar porque que eu não doo o meu salário para os pobres (salário que nem tenho, ainda…); vai ter gente que vai dizer que isso é “problema do governo” — seja lá de que governo for… Mas, sério mesmo? E eu até concordo que a pessoa tem o direito de comprar  o que quiser com o dinheiro que ganha mas… Na moral, não acham que tem que ter um “limite” de consciência?! Será possível que alguém que vê  o real valor do dinheiro, como ele pode transformar vidas (ainda que não seja “sua obrigação” fazê-lo, ainda que você não queira contribuir para nenhuma transformação…) — como essa campanha está mostrando, por exemplo — não sente NADA ao perceber que gasta em uma coisa absolutamente INÚTIL mais do que uma pessoa miserável ganha para se manter viva?! Gente, eu nem estou falando em comprar “aquele biscoito gostoso” no final do mês, estou falando em ter condições de comprar ÁGUA e FARINHA para fazer mingau sem gosto e ralo para comer! Estou falando de pessoas que morrem, aos milhares, todos os dias porque não ingerem ÁGUA na quantidade mínima necessária à sobrevivência. Estou falando de pessoas que veem seus filhos e filhas definhando lentamente na frente de seus olhos e nada podem fazer. É sério mesmo que você consegue sair se sentindo DIVA nos seus óculos de sol de n! dinheiros depois disso?! 

Deixe-me perguntar: quanto REALMENTE vale aquele vestido lindo-coleção-outono-e-inverno que você comprou pela internet ou da grife-bafo que, reconhecidamente, tem seus produtos de procedência duvidosa? Quanto REALMENTE custou os produtos do seu videozinho super-demais de “Comprinhas do mês” que você tanto se orgulha dos n! likes que conseguiu? Sabe por que vocês conseguiram, na maioria das vezes, comprar aquela saia escândalo baratésima na internet ou aquela base apaixonante? Gente, eu vou escrever diretamente, para ninguém fingir que não sabe mais: TRABALHO ESCRAVO. ES-CRA-VO. Vocês, com suas “comprinhas do mês” e “looks da China” bancam uma indústria que explora a vida de pessoas. O que, foi mal — a verdade dói — mas torna vocês exploradores por extensão. Querem um exemplo? Saiu uma notícia no site administradores.com sobre uma brasiliense que, ao receber sua comprinha básica do famoso site AliExpress acabou por ganhar um “brinde” inesperado: Um pedido de SOCORRO de um dos funcionários chineses, que conseguiu inserir o bilhete na blusa que produziu.

Fonte: Retirada do link http://www.administradores.com.br/noticias/cotidiano/braziliense-recebe-compra-de-site-chines-com-pedido-de-ajuda/94282/. Descrição da figura: Ao lado da etiqueta da blusa recém chegada, está o bilhete escrito “I SLAVE HELP ME” — traduzindo para o português: “EU ESCRAVO ME AJUDE”.

Este caso não é o primeiro a ser noticiado: três consumidoras do Reino Unido e uma outra da Irlanda também se depararam com pedidos de socorro em compras. E sabe o que foi feito a respeito? NADA! Gente, pelo amor de Deus: Uma pessoa — de carne, osso e sangue — tentou escrever um bilhete numa língua que não conhece tentando pedir AJUDA. Porque é ESCRAVO. Porque tem sua vida reduzida à exploração para você comprar uma blusa!

Em cinco meses desde o acontecido, essa foi a única nota do site: “vamos investigar denúncias”.  Sério, Brasil?! Não é necessária muita investigação, eu diria. É só mandar a polícia rastrear os empregados, verificar a fábrica e constatar a mão de obra escrava. Mas por que será que nada acontece? Hummm…. A primeira dica para se chegar à uma resposta está no fato de que a Aliexpress pertence ao grupo Alibaba, que recém entrou na Bolsa de Nova York em setembro e transformou seu fundador, Jack Ma, no homem mais rico da China. Sua fortuna é avaliada em US$ 25 bilhões.  A segunda dica é: Se o cara ganhou tanto dinheiro vendendo roupas e afins produzidos através de mão de obra escrava é PORQUE TEM GENTE QUE COMPRA. Entenderam, queridos, ou preciso desenhar? A Liz desenha, se vocês quiserem…

Outro exemplo ESCRACHADO foi feito em um reality show noruego de 5 episódios, chamado Sweatshop: deadly fashion, que desafiou três blogueiros de moda a morar e trabalhar por um mês em uma destas oficinas têxtil em Phnom Penh, no Camboja (escrachado e revelador, mas real: NADA foi feito pelas pessoas que trabalham na fábrica que é mostrada no reality. Continua funcionando perfeitamente, com a exploração rolando solta…). As cenas são de arrancar o coração fora e é um bom choque de realidade para quem vive no mundo do consumismo e não da moda. Isso porque a moda, em si, é um reflexo da sociedade. É um elemento cultural, não puro consumismo, não pura vaidade. Se eu fosse vocês, dava uma passada no site e assistia. Eu só achei no youtube o trailer em noruego (abaixo), mas no site tem os vídeos com legenda em inglês.

Então, para terminar esse post imenso, façam um favor:  antes de comprar uma coisa, perguntem-se quantas vidas valem o que você quer. Pergunte-se se vale a pena. Pergunte-se quanto vale o seu dinheiro. 

(Ps: Para contribuir com a ONG holandesa, uma das uma das maiores do país a trabalhar com comunidades pobres em áreas de conflito, clique aqui.)

Liz.

Espelho

Gente, não é segredo para ninguém que sou fã do Porta dos Fundos. Também não é segredo para ninguém que algumas questões de gênero da sociedade me irritam MUITO. Isso para não dizer que me afrontam. Eu já comentei um pouco sobre isso neste post.

Então, quando abri o facebook e encontrei este vídeo na minha timeline (claro que eu curto a página do Porta dos Fundos! haha), não pude deixar de dar uma corrida aqui para mostrar para vocês. É aquela velha história: e se fosse ao contrário? Se, de repente, nossa sociedade se olhasse no espelho, e visse as coisas ao inverso na questão do gênero, como seria?

**** Atenção, o vídeo a seguir contém palavras “feias”. Não veja se você tiver menos de 16, ok?! ****

Pensem nisso, ok?

Beijo!

Liz.

Gente PHYNA e a velha Crise de Vira Lata.

É inacreditável algumas coisas que a gente lê por aí… Ou pior: é tão absurdo, mas tão absurdo, que fica impossível até ser mentira. Aí a gente acaba acreditando, porque o ser humano não teria criatividade o suficiente para inventar algo assim…

E foi com um desses casos que me deparei : Uma colunista do jornal O Globo, Silvia Pilz, achou por inteligente satirizar em uma “pseudo” crônica (com o  que ela chamou de “humor cáustico”) sobre os pobres do nosso Brasilzão. Vocês podem ler a pérola neste link. Digam por si mesmos se o traço preponderante é o humor mesmo ou se há uma notável depreciação da maior parte da população do país. Não darei mais detalhes para não dar spoiler e não quero influenciar demais a opinião de vocês.

Muitos  sites responderam ao texto da colunista, dentre eles alguns blogs como o maravilhoso Transversos, que expressa exatamente a minha opinião acerca do assunto. Não é a resposta a ele, portanto, que me atearei aqui. É a reflexão do que o texto de péssimo gosto me levou a tomar… Caraminholas, senhores, caraminholas na minha mente… E eis que, reflexões seguidas, uma puxando outra, contas de pensamento formando um cordão… Me deparei com a velha crise de Vira-Lata que assombra  a nossa população desde o início da sua formação.

O brasileiro não se enxerga. Pior, o brasileiro não se conhece. Pergunte a si mesmo quem são os brasileiros. Pergunte a si mesmo daonde viemos. Não somos negros, não somos índios, não somos brancos. Estas, na verdade, são uma parcela tão ínfima da população, que não podemos traçar uma característica de “raça” (que termo odioso…!) a nosso país. Dizemos que o Brasil é o segundo país com maior população negra do mundo, por causa da cor da pele e ascesdência. Mas nós não somos um país negro. Nós somos um país de mestiços. Não apenas os “tipos étnicos” que aprendemos na escola (caboclo, mulato e mameluco), mas a miscigenação desses, muitas e muitas vezes. Tantas, que nos perdemos no sangue e ascendência de raça ou cor e nos tornamos o que somos: brasileiros em essência, brasileiros em ascendências, brasileiros em origem. Somos um país, em todos os termos possíveis, de miscigenados.

Somos uma nação de mestiços, uma nação de misturas, uma nação que nasceu dos rejeitados da luxúria, do estupro e da hipocrisia, da união de índios e negros fugidos do trabalho forçado.  Somos uma nação de explorados, de desacreditados, que nasceu das senzalas e cozinhas das casas suntuosas, das ruas cheirando a barro e suor e saiu para tomar o mundo fora destas, nas cruzadas, como forma de sobrevivência num país governado por gente com “sangue de leite”– como diziam os tupis.  E é aí que nasce o brasileiro e com ele, a crise do Vira-Lata que sonha em ser Sangue Puro, sem nem perceber o que isso significa: expulso das casas senhoriais por ser filho ilegítimo, obrigado a se alistar nas expedições para abrangência do território que se tornaria o maior país da América do Sul, o brasileiro — mestiço, sem pai, sem identidade e sem terra na sua própria terra — buscava meios de ascender ao status de gente, ou seja, de europeu. E assim, afim de conseguir alguma posição perante a sociedade, repudia tudo que faz dele o que é: vira lata de nascença, mescla-se de sangue puro para sentir-se gente de respeito, menospreza as classes não-europeias, debocha da brasilidade do povo caipira, amador, não-civilizado (qualquer semelhança com o texto de Pilz não é mera coincidência…). Não bastava parecer europeu, tinha que ser europeu, de alguma forma.

Como hoje em dia… Não basta falar inglês, tem que encher o peito para se gabar que fala sem sotaque. Funk carioca jamais entra na casa da madame, porque em casa de respeito não se ouve putaria (com o perdão da palavra…), mas seus filhos e filhas podem descer até o chão rebolando ao som de Snoop Dog que está tudo certo. É normal pagar R$500,00 em um ingresso para assistir aos Rollings Stones, mas já viram que absurdo o preço para assistir aos desfiles das escolas de samba na Sapucaí? Quero dizer, quem paga R$500,00 para assistir ao CARNAVAL? Samba, só com melodia, acorde, cavaquinho e violão… Nada de tambor de crioula, nada de associação com jongo, nadica de nada de maracatu. Porque aí parece macumba, Deus nos livre! Música boa é Beethoven, Mozart, coisa de gente civilizada. Nada de trovadorismo ou Ladainha porque parece um monte de caipira gritando lamento. Bom mesmo é ir para os EUA, onde tudo funciona e você não faz ideia da cara dos seus vizinhos.

Gente PHYNA, é isso que brasileiro quer ser. Phyno que é phyno gosta do que tem lá fora, porque o que tem lá fora é europeu ou estadunidense (me RECUSO a chamar apenas a população de um país só como Americano!) e CLARO, é melhor do que tem aqui. Por que? Ora, por que os brasileiros, os mestiços, queriam ter sangue de leite, lá trás? É a mesma pergunta. É a síndrome do Vira-Lata, de novo e de novo. “Queria ter um Pastor Alemão”, “Queria ter um pai alemão”, tudo a mesma coisa. É a vontade inexplicável de querer ser sangue puro para ganhar carterinha de pedigree do veterinário.

Me RECUSO a ser Sangue Puro. Sou Vira-Lata, com cada uma das minhas ascendências: dos tupis aos espanhóis, aos portugueses ao povo de Angola e sabe-se lá mais quais. Meu país tem uma gama imensa de problemas sociais, e por isso vive a ser comparado a outros países, onde “as coisas funcionam”. Mas “outros países” não tem o histórico social do Brasil e a única reflexão válida aos nossos problemas é aquela que começa com a aceitação e conhecimento da nossa história e de como podemos trabalhar em cima dela. Outros países tem suas próprias feridas sociais, às vezes mais obscuras, mais sutis do que as nossas. Mas também pela nossa história, herdamos traços de todos os lugares do mundo, os misturamos, os fundimos, os tornamos nossos. E eu tenho MUITO ORGULHO DISSO.

Portanto, gente phyna, Vira Lata sou. Vira Lata são meus pais, serão meus filhos, são meus irmãos e vizinhos. E vocês também, receio dizer. Deal with it (<3 hahaha Para vocês entenderem).

Liz

 

 

 

Misoginia nossa de cada dia…

“Com uma roupa dessas, está pedindo para ser estuprada…”

“Mulher tem que se dá o respeito…”

“Muito rodada, essa aí…”

“Não se deu ao respeito, acabou engravidando…”

Dou 10 segundos para vocês adivinharem do que se trata.

1…2…3…4…5…6…7…8…9…10.

E aí, sacaram? Se ainda não, permitam-me fazer um pequeno exercício psico-social:

Imaginem agora, um cara bombadão. Sem camisa, tanquinho de primeira, jeans grudado na medida certa. Bunda perfeita. Imaginem ele andando na rua, indo para academia, para balada, comprar pão, sei lá, para onde vocês quiserem. Ele passa por um grupo de mulheres e elas já começam a olhar. Uma delas se adianta e passa a mão na bunda do cara, uma mão cheia, com vontade. Daquele jeito que não tem como parecer acidente. Ele vira, indignado, e começa a reclamar. A situação toda é um absurdo, e ele não vai tolerar uma falta de respeito assim. Olha ao redor, percebe uma delegacia próxima e vai denunciar o assédio. A policial, então, o examina da cabeça aos pés, vira para ele com desdém e diz:

— Você estava usando essa roupa aí? Estava pedindo por isso, né! Teve sorte de só ser uma passada de mão. Da próxima vez, experimenta não dar motivo. Não fica usando roupa de prostituto, faz o favor! Se você se desse ao respeito, não teria acontecido.

E vira as costas, deixando o pobre coitado plantado na delegacia.

Agora, me digam, o que tem de estranho nessa história? Tudo, é claro, a história é toda fantasiosa. Seria raro acontecer algo assim, certo? Improvável. No entanto, mudemos os gêneros dos personagens. Imagine, agora, uma “gostosona” — como já tive o desprazer de ouvir, diversas vezes, algumas pessoas se referirem a outras — andando de legging grudadinha e top de ginástica na rua. Imaginem uns caras olhando como se fossem devorá-la. Imaginem um deles indo lá e apalpando a garota em vários lugares possíveis, enquanto ela tenta se esquivar do assédio. Imaginem ela indo à delegacia e tentando registrar a ocorrência e um policial a olhando de cima a baixo, calça legging e top colorido. Imaginem ele a mandando se dar ao respeito.

Imaginaram? Pois é, a situação pareceu real para vocês agora? Sabem, que curioso: ESSA SITUAÇÃO É REAL. Eu acabo de descrever uma situação que presenciei. Que, infelizmente, deve ser muito comum. Porque é senso comum que mulher que anda com pouca roupa ou roupa vulgar não se dá ao respeito. Porque todo mundo sabe que se a mulher anda com jeans apertadinho e decote, está querendo ser assediada, apalpada, estuprada. Claro, porque as mulheres tem que andar bem comportadas, as pernas cruzadíssimas e os botões bem casados, para não ser violentada na rua. E, claro, nada de sexo antes de casar. Porque aí vira “piranha” — com o  perdão da palavra — e pode engravidar. Não, mulher tem que se dar ao respeito. E não pode ser “rodada”, é claro. “Rodada”, nunca! Se transar, que seja com um só, pelo menos. Com um anel no dedo, claro.

Claro, claro, claro… PQP…!

Quem nunca escutou alguma dessas (ou muitas outras) idiotices sendo vomitadas por aí? E o quão perturbador é constatar que eu, você, sua mãe, sua irmã, sua coleguinha de escola/faculdade/trabalho cresceu ouvindo-as sem nem se tocar de que havia algo estranho nesses discursos. Por que, pergunto, a situação parece tão diferente ao mudarmos o gênero da vítima? Por que é difícil imaginar uma situação dessas sendo vivida por um homem?

Porque, queridos, nossa sociedade é nada menos do que misógina.

 

Misoginia, queridos, (do grego, μισέω,  miseó, “ódio”; e γυνὴ, gyné, “mulher”) é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). Exagero? Não, não exagero. Pensem em como vocês foram criadas para repulsão do feminino. Pensem nas expressões pejorativas, no desprezo arraigado. Quer exemplo? Me digam em que planeta a frase “Corre/chora/grita/come (etc) como uma mulherzinha” lhe parece uma frase legal. Pensem agora nessa frase sem nenhum contexto: Corre — se desloca rapidamente — como — a maneira como é feita a ação de “correr” — uma mulher — vamos deixar de lado a óbvia conotação pejorativa do diminutivo e focar na raiz da palavra: Mulher. Ser humano do gênero feminino. Corre como uma mulher. E daí? Eu corro como uma mulher. Eu sou mulher!

A campanha “Like a Girl always” fala exatamente disso. Vale a pena assistir ao vídeo e refletir, porque mostra exatamente como somos todos — homens e mulheres — continuamente criados para sermos misóginos. Como isso acontece a partir do momento em que começamos a nos entender como indivíduos dentro de uma sociedade.

http://www.youtube.com/watch?v=lM6hSM29HTc

Não demorarei muito falando disso. Na verdade, tenho assunto para uns 10³³³³³³³³³³ posts em relação a isso. Por isso, vou me ater a um conceito só: Se você for mulher, entenda: O SEU CORPO É SEU. Ninguém tem o direito de tocá-lo ou menosprezá-la por causa do que usa, aonde vai, a que horas volta para casa ou com quantos caras já transou na vida. Eu poderia ser prostituta que, se eu não quisesse que alguém me tocasse, ninguém teria o direito de fazê-lo. NINGUÉM, mesmo. Se um cara sai com 20 garotas numa noite, ele não é chamado de “Rodado”e, se for, isso é considerado algo “bom”. A mãe não o expulsa de casa, o pai não diz que ele não se dá o respeito, o vizinho não aponta o dedo e o chama de “Puto”. Quando uma garota aparece grávida, ninguém vira para o pai da criança e diz que ele não deveria ter transado antes de casar. Por que tem que ser diferente com você? Por causa de um cromossomo X? Isso, senhores, é loucura. A culpa, o pecado, o erro, tem sido feminino por tempo demais.

Se você for homem, tente enxergar uma coisa: Se coloque no lugar da garota. Você gostaria de sair na rua e ver um monte de gente nojenta babando em cima de você? Pense em ter uma filha. Agora imagine ela tendo um namorado, um amigo, um vizinho, alguém que a trate como se ela fosse um objeto. Você sorri com a ideia? Não? ENTÃO PARE DE FAZER ISSO. Porque não é bom para o ego, rapazes. É nojento e grosseiro. APENAS.

Voltarei a esse assunto mais vezes, porque tenho muito a falar a respeito. É apenas uma pena que eu não seja dada a esse tipo de comportamento. Caso contrário, poderia ter mais experiência no assunto. Uma coisa, contudo, deve ser dita: SE DAR AO RESPEITO, É VER-SE COMO HUMANO. O que te dá a liberdade de se vestir como quiser, ir e vir, viver. Homem ou mulher, não importa.

Menos misoginia, faz favor!

Liz.

CoRrUpTo!!!!!

No dia 05 de Outubro de 2014, os brasileiros foram às urnas opinar sobre quem deveria representá-los nas cadeiras mais importantes de poder da República Federativa do Brasil (Isso mesmo, senhores! Esse é o nome completo do nosso país! Mesmo que 95% da população não saiba disso… ¬¬ ). E então, vocês tem a algo a comentar em relação a isso? Eu tenho alguns milhões de observações a serem feitas, mas me atearei ao principal…

Aposto que vocês já imaginam do que estou falando. Qualquer um pensaria que a frase ” Você é responsável por quem te governa” é um clichê quase tão grande quanto “Ser diferente é normel” ou algo do gênero. No entanto, estranhamente, ambas frases batidas passam por tão absurdamente  impraticáveis no dia a dia da população que não me parece justo chamá-las de clichês. Afinal, se todos sabem o que significam e o que acontece quando não postas em prática, POR QUE ninguém (ou pelo menos a maior parte da população) faz delas rumos para a própria vida?????????

Entendam, não estou falando apenas da nossa responsabilidade em eleger nossos representantes. Estou falando de algo muito mais diário do que a “Festa da Democracia”. Pois são nossas relações diárias dentro da sociedade que determinam o que fazemos dela. Vejo, todos os dias, exemplos de corrupções praticadas por cidadãos comuns, diferentes apenas em escala, mas idênticas em essências às praticadas pelos mil vezes amaldiçoados políticos deste país. Convivo com pessoas que se vangloriam de serem cidadãos exemplares e gozarem de boa reputação moral, mas ao encontrarem uma carteira na rua, apanham o dinheiro para si e a deixam lá. Vejo pessoas que reclamam da corrupção na polícia e do fato de um a cada cinco policiais aceitam suborno no exercício de suas funções, mas que dão “agradinhos” ao açougueiro para ter a melhor peça de carne ou furarem a fila quilométrica (literalmente, na maioria das ocasiões) que se forma na fila do dia de  promoção de carnes no Guanabara. Assisti uma amiga da minha tia encontrar um celular perdido nas areias de Copacabana em pleno Ano Novo do Rio de Janeiro, tirar o chip do aparelho e guardá-lo para si.  Você devolve o dinheiro em demasia quando recebe o troco errado ao comprar alguma coisa?

Esses, senhores, são ínfimos e despercebidos exemplos de corrupção cívica diária. Uma carteira sempre contém informações de seu dono, por que então não devolvê-la ou entrar em contato com o proprietário afim de avisá-lo? Uma pessoa que paga para entrar na frente de outras, que passam 4, 5 horas numa fila está desrespeitando o esforço de quem ficou lá. E por que? Porque ela pode pagar? Isso não é certo, é querer ter privilégios diante de uma questão social, ainda que ínfima — a fila da carne — perante aqueles que não podem pagar pela corrupção alheia. Um celular contém diversas informações que tornam facilmente contatável o seu dono, e mesmo que não seja possível acessá-las (caso o aparelho esteja bloqueado), você sempre pode entregar o aparelho para o policial mais próximo, afim de deixá-lo à disposição de quem vá procurá-lo. Será que as pessoas se lembram que, ao ficarem com o dinheiro que o caixa entregou errado, será o funcionário que terá que pagar por isso? Você não está simplesmente com sorte, você está furtando dinheiro de alguém…

Percebam, então,que a corrupção não é um problema da nossa política, é uma doença social. Se você não é capaz nem mesmo de se conter em pegar dinheiro de alguma outra pessoa ( como no caso de uma carteira na rua, por exemplo), como pode me convencer que se conteria ao ter nas mãos o dinheiro público proveniente dos inúmeros impostos que geramos? Sinceramente, eu não vejo como uma pessoa dessa se diferencia tanto de um político, à exceção da oportunidade.

Não me estenderei nesta reflexão, pois tenho certeza de que você é perfeitamente capaz de compreender aonde ela me levou: O problema do Brasil não são os políticos, são os brasileiros. Veja bem, eu AMO esse país. Não me imaginaria tendo qualquer outra nacionalidade, em hipótese alguma. Mas esse ponto me entristece mais do que qualquer outro. Não basta votar bem, senhores. É preciso viver corretamente dentro do bem comum, é preciso ensinar nossas crianças e jovens a fazê-lo e alimentar a cultura da honestidade. Sem isso, receio que vamos manifestar nas ruas, pintar nossos rostos, gritar o hino nacional e nada adiantará. Continuaremos a sermos país de mudança nos gritos e comodismo nas ações.

Campanha-contra-a-Corrupção-CNJ

 

Dessa maneira, para terminar de “bagunçar”, deixo a vocês o lema da Campanha nacional contra a corrupção: Quer um país sem corrupção? Comecemos sendo honestos, ok?!

 

Espero que analisem as propostas reais de seus candidatos e busquem entender, de fato, as suas consequentes aplicações. Votem consciente no dia 25 e vivam conscientemente o resto do ano.

 

Beijos!

 

Liz.