Confissão #2: Os dedos em riste e a premissa da gentileza

********** Abrindo as portas do confessionário ***********

Deixa eu contar uma coisa pra você, que adora apontar o dedo pras mães na rua, pros colegas de faculdade, pros vizinhos. Não vai ser uma historinha feliz, então se você está atrás de felicidade de comercial de margarina e não aguenta uma dose de realidade bruta, não diluída, então caia fora. Hoje a Oficina não está para o seu gosto, não.

Ontem, mais uma vez, meu menino surtou. Ele tem TEA e quando surta, como é comum aos autistas clássicos, usa da autoagressão e agressão alheia para extravasar essa carga de energia. Não me pergunte o que causa os surtos, porque ninguém sabe. Ele só começa: tira os óculos, o casaco e larga os bonecos que segura, em todo e qualquer momento, tirando o surto, nas mãos. É um ritual simbólico para mim, agora que penso nisso… Para ter com violência para consigo e para com o outro, ele meio que abandona o seu “eu” consciente. Meio que deixa de ser o meu Shippo e passa a ser um conglomerado de violência. Para consigo e tudo o que ele considera parte de si. Ou seja, para comigo também.

Depois de horas naquela existência confusa e bruta, depois de lutar para enfiá-lo ainda a nos bater embaixo da água gelada, depois de machucar o meu pulso (já lesionado pela tendinite), depois de muito gelo e lágrimas, depois de se acalmar e seu olhar voltar a clarear, ele pediu pra comprar pão. O incidente, a dor, a angústia, a violência parecem ter ido parar num plano semiescondido da sua mente. Mesmo que ele tenha se batido tão forte nos lados da cabeça que eu tive que aplicar quase uma hora de gelo depois, mesmo que eu não consiga levantar os braços direito de tão machucados que estão. Mesmo que temporariamente, os fantasmas doloridos de sua mente se afastaram e eis que surge uma preocupação real: precisamos de pão.

Olhei para a bagunça ardida em que eu estava e pedi para tomar banho primeiro. A água fria caía nos arranhões no meu braço e eu sentia a farpada funda da dor, como um choquinho agudo. Tive certa dificuldade de segurar o sabonete e me dei conta de que precisaria aplicar um pouco de gelo ali também. Chorei, mais uma vez. Dessa vez, não da dor mas do vazio. Tentei rezar, em busca de algum significado que me preenchesse.

“Senhor Deus dos desgraçados…” — comecei, de novo. Mas respirei fundo e parei. O que eu pediria, que já não pedi? Me aquietei de novo no vazio, lembrando da hora que se passou. Sabem o que é estranho? Eu nunca havia começado uma oração assim. As palavras saíram da minha mente, como se estivessem se libertando de correntes pesadas, enquanto eu tentava conter meu irmão na cama e ele golpeava meus braços sem cessar. Me vi fechando os olhos e rezando baixinho:

“Senhor Deus dos desgraçados, por favor, ajude meu irmão. Por favor, ajude o meu irmão…!”

Uma, duas, três, incontáveis vezes essas frases saíram pequenas e trêmulas dos meus lábios. E percebi, depois, no banho, o porquê de elas terem saído assim, livres, de dentro de mim. Eu percebi que não era ao meu irmão que me referira naquela hora. Que, quando rezei pelo Deus que olhava os “desgraçados”, eu rezei por mim. Era assim que eu me sentia: desgraçada, no sentido real — sem graças, sem forças, sem nada. Saí do banho com essa nova perspectiva de mim mesma. Sou uma pessoa orgulhosa, então admitir que me sentia assim, abandonada de tudo, deveria ser um ato dolorido. Ao invés disso, me aquietou. Não era nada mais do que isso, entende? Eu não precisava mais fingir para mim mesma que eu me sentia maior do que isso; que era real a ideia de que eu sou melhor do que a sensação de abandono. Não sou, é óbvio agora.

Saí procurando por uma camisa de manga para vestir, de forma a ocultar os machucados do meu braço. Estava calor e percebi que ouviria o cometário bem humorado dos vizinhos quando passasse: “Eita, menina, que frio é esse que você está sentindo?!”. Seria acompanhado de uma risada de bom humor, como a selar a boa relação comunitária entre nós. E eu sorriria e daria de ombros, como quem diz:”ah, mas eu gosto assim mesmo” e seguiria em frente. Mais um início de noite na vida cotidiana. Passei 7 anos na universidade carregando casacos mesmo nos dias mais quentes. Às vezes, quando o calor começava a ficar insuportável, eu tirava para colocá-lo novamente logo depois; quando eu sentia os olhares nas machas roxas e arranhões em meus braços. Em resposta às brincadeiras em relação ao meu suposto frio, eu sorria e dava de ombros. Com o tempo, elas tomavam corpo de impaciência, como se o fato de usar casaco no calor do Rio de Janeiro irritasse os meus colegas. E eu meio que concordava com eles, talvez porque, lá no fundo, eu estivesse irritada também. Então, acreditava, a reação deles e sua brincadeiras não me afetavam, em absoluto. Mas percebi ontem que, na verdade, secretamente, eu meio que me ressentia delas. Mesmo quando eu explicava a situação, as pessoas só faziam uma cara esquisita — de pena/repulsa — e mudavam rapidamente de assunto. E percebi, agora, que eu me ressentia desse abandono.

Passei 7 anos na faculdade, quase cinco deles no Observatório também, e todos adoravam reclamar ou brincar do fato de que eu, não raro, caía no sono em cima do teclado do computador enquanto trabalhava na minha pesquisa. “Vai dormir em casa, menina!”, me acordavam. Ninguém nunca se perguntou que, talvez, eu não pudesse dormir em casa. Que minhas horas de sono eram usadas para estudar a matéria que eu não conseguia estudar durante os finais de semana e dias livres, porque meu irmão não deixava. Passei 7 anos na universidade arrastando meus problemas de saúde e tendo que ouvir, sorrindo e dando de ombros, meus colegas e professores dizendo que “você precisa se cuidar direito, vai acabar morrendo” sem que percebessem que, no meu caso, ou era me dedicar aos tratamentos ou ir pra faculdade porque na metade do dia em que eu não estava em aula, eu estava em casa cuidando do meu irmão para minha mãe fazer a faculdade dela. Nos dois últimos semestres, eu mal conseguia andar devido às dores na coluna e ainda assim, engolia a dor e ia para a UERJ. Mesmo assim, quando tive que fazer a integralização, ouvi professores me falando que eu “tinha potencial mas não me esforçava o suficiente” e “se você quisesse se tratar direito, já teria resolvido os seus problemas” e, o clássico, “mas o seu irmão não é responsabilidade sua, é isso que você não quer entender”.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entre as brigas dentro de casa para que eu conseguisse, ao menos, IR às aulas (obtendo, no processo, algumas reprovações por falta que andam dificultando muito a minha vida nos processos seletivos para o mestrado), até a batalha que foi para eu conseguir fazer a pesquisa — exigindo tempo que minha mãe e minha irmã pareciam não poder abrir mão, mas que eu, aparentemente, podia; tudo que se via, fora dos muros da minha casa, era uma menina sempre sonolenta, doente, de casaco, parecendo irritar as pessoas por estar em um lugar que, obviamente, não deveria estar porque “não se esforçava o suficiente”. Pouco importava que meu coeficiente de rendimento fosse muito acima da média dos alunos de Física, que minha pesquisa fosse altamente elogiada e condecorada dentro do ON, que eu tivesse que passar meus finais de semana no Observatório para dar conta. Tudo que eu tinha, para justificar o meu orgulho e me convencer que eu era uma “agraciada”, era sorrir e dar de ombros diante do franco abandono. Porque meu orgulho não permitira, de jeito nenhum, que me vissem como uma “coitada”.

Mas ontem percebi minha estupidez. Os dedos, firmes e cruéis, sempre estiveram em riste. E o que sobrou, afinal? Uma mulher de 25 anos que mal conseguia levantar os braços machucados para conter um garoto muito maior e mais forte que ela. Uma mulher que se deu conta de que não adianta mais usar casacos e sorrir da falta de gentileza alheia.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entendi que, sim, não tenho graças. Os dedos em riste sempre estarão lá, então por que não apontá-los para a verdade? Desisti da camisa de manga. Vesti uma regata branca e, para quem quisesse ver, estavam as marcas no meu braço e minha cara inchada de chorar. Deixe que apontem. Não esconder mais foi o maior gesto de gentileza que tive comigo mesma desde que nasci.

Então, gente, um pedido a quem estiver lendo isso: há sempre uma mãe que suspira, cansada e desamparada, na rua. Há sempre um vizinho que anda irritado, um estranho no trem cantando baixinho para si mesmo algum conforto em forma de canção. Mesmo correndo o risco de parecer arrogante, deixe-me dizer isso a vocês: vocês não sabem a merda que a vida pode ser. Esqueçam os comerciais e vídeos de formatura. A felicidade, para muita gente, não chega a nem perto disso. Para muita gente, terminar o dia bem significa que seu filho foi ele mesmo por um dia inteiro. E, mesmo assim, amanhã é sempre um novo dia.

Por isso, vale a máxima: Você não sabe pelo que as pessoas passam no seu dia a dia. Seja gentil, sempre.

Até.

*******As portas do confessionário estão se fechando agora ********

Confissão #1: Sobre cheiro de comida numa mesa de escola e risadas ao fundo…

Ok, eu tive que respirar umas quinhentas vezes antes de iniciar este post… Mas o destino quis que eu ligasse a televisão no Canal Futura justamente quando o Conexão Futura (programa maravilhoso, gente! Super recomendo) propunha um debate sobre a relação entre o Bullying nas escolas e a depressão na vida adulta e… Simplesmente não pude mais adiar. Não dá mais para fingir que isso não me incomoda, varrer para baixo do tapete o que me sufoca. Afinal, foi para isso também que criei esta Oficina.

Mas vou logo avisando: se você não gosta de ler posts que não sejam “bonitinhos”, não leia este aqui.   A verdade nem sempre é bonita, assim como a vida não é justa e rapadura é doce mas é dura de quebrar os dentes. Então, aviso dado, deixe-me começar…

Muito provavelmente você não leu neste post, então deixe-me respirar mais uma vez para a fazer essa primeira confissão — inspira … Guarda o ar um pouquinho, retem cada partícula de oxigênio no sangue… E, devagar, expira. Ok, talvez eu precise de mais três sessões dessas, peraí…

Ok, foi. Minha primeira confissão: Eu sou uma pessoa depressiva. Mesmo. Não é agradável me expor assim, principalmente por ser algo que as pessoas próximas a mim não sabem ou não querem saber. Mas é verdade. Embora eu não aparente na maioria dos dias… Na verdade, eu divido meus andares em momentos de agradável euforia e contentamento e caídas no precipício que, em geral, são pouco (ou nunca) notadas. Por causa dos sorrisos, suponho… Eu prefiro sorrir, mesmo que tenha passado as três horas anteriores chorando. O importante — oh, meu Deus, que vergonha…! — É sorrir. Ninguém percebe sua dor quando você sorri, porque raramente as pessoas analisam minunciosamente o seu sorriso. Com o tempo de uso contínuo, sorrir — esse sorriso de vidro, claro. Sempre longe do tom aberto e esguio do sorriso “real” — se torna quase tão natural quanto respirar. Fácil, fácil… E vai se tornando um esgar de morte a cada uso, confesso. Sorrir o tempo todo cansa mas é algo que só recentemente comecei a me libertar a respeito.

Então, como eu ia dizendo: Eu sou uma pessoa depressiva. Não vou comentar como acontecem os surtos… O post que eu citei talvez dê uma boa ideia para vocês de o quão desagradáveis eles são. O que vim fazer aqui é uma confissão, uma análise, um alerta e um pedido. Muita coisa, eu sei, para um post só. Mas é importante. Já fiz  minha confissão, agora vem a análise: Como toda pessoa com tendência depressiva, eu tenho uma notável falta de autoestima (bem, acredido que seja mais uma confissão…). Eu não sei bem o porque mas acho que isso foi desencadeado ainda na minha infância. Eu, por exemplo, sofro de insônia desde os 6 anos — o que, sem dúvida, é muito cedo para qualquer um desenvolver problemas de sono…

Enfim, eu entendo que essa falta de autoestima pode ser agravada — e muito — na adolescência, em especial nas escolas. Essa é a parte do alerta. Entendam, eu sempre tive “alguma coisa” meio fora do eixo, em especial na minha relação familiar e como sempre me senti à parte do meio afetivo da minha família, alguém de fora. Mas isso piorou — horrivelmente — durante o Ensino Médio e não posso ignorar o papel dos meus colegas de escola neste processo. Isso, senhores, é o meu relato de desamparo: eu fui humilhada, ridicularizada e diminuída em cada um dos três anos de CEFET. Muito provavelmente, parte do motivo é a minha própria personalidade — o que, inclusive, é o motivo pelo qual surgiram na minha vida essas riscas com a minha mãe, por exemplo. Outra parte do motivo residia no fato de eu ser uma garota bem pobre, vinda de escola municipal, no meio daqueles “criados com vó” — como falam aqui em são joão… — que frequentaram cursinhos preparatórios caros, muito bem pagos pelo papai e mamãe, para conseguirem passar na provinha e garantirem uma vaga na Escola Técnica Federal. O terceiro quinhão motivador de todo o bullying era alimentado pelos outros dois: eu sempre fui muito “certinha”, muito “bobinha” mas nunca conseguia ir bem nas provas de exatas. Entendam o contexto: eu mal tive aulas de matemática durante o fundamental e não tive aulas de Física nem Química até chegar ao Ensino Médio. Consegui passar para o CEFET graças às disciplinas “Humanas” e português, que eu sempre dominei com bastante facilidade.

Mas nas exatas… Eu era um terror! E meus coleguinas — depois de pelo menos um ano de intensivo preparatório em cursinhos da vida. — tinham uma base bem superior à minha nesse campo. E não me deixavam esquecer disso, tenham certeza. Eles chegaram a colar o meu vergonhoso “2.0” na porta da sala. Um grupo sempre ia pegar as minhas notas antes de eu conseguir chegar na mesa do professor. Riam, sempre, como se não passasse de uma brincadeirinha. Mas doía pra cacete. Eu comecei com o sorriso de vidro aí. Sorria o tempo todo, como se não estivesse prestes a chorar. Como se não me importasse com o que eles faziam.

Com o tempo, passaram a espalhar todo o meu material pela escola, enquanto eu estava fazendo as malditas aulas de Educação Física. Só pararam de fazer isso quando um inspetor permitiu que eu guardasse as minhas coisas na sala da inspetoria durante as aulas…

Foi quando descobriram que eu não tinha dinheiro para comer. Sim, senhores: eu não tinha dinheiro para almoçar. Comia um joelho de R$2,50 pela manhã e tentava sobreviver com ele no estômago até às 18h da noite. Era tudo que eu tinha, às vezes nem isso. E eles descobriram. Um dia, eu estava tão enjoada de fome que saí da escola e fui dar voltas na rua. O cheiro do restaurante estava me fazendo vomitar bilis, eu simplesmente tinha que sair dali. Catei meus míseros 50 centavos que tinha e fui atrás de uma banquinha de rua que vendesse amendoim. Se eu continuasse sentindo aquele cheiro de feijão, eu achava que ia começar a chorar no meio do bosque.

O amendoim era 60 centavos… Não posso descrever o tamanho da minha exaustão, o tamanho da minha sensação de abandono, ao dar meia volta, retornando todo o caminho de encontro à escola.

Quando voltei, alguns dos meus colegas tinham me preparado uma surpresa: a mesa em que eu usualmente me sentava, bem em frente à mesa do professor, estava cheia de restos de comida. Tinha quentinha com tudo misturado: eu podia ver um bracinho de macarrão, sujo de feijão, caindo para fora e sujando o tampo da mesa. Tinha embalagens com farelo de biscoito e balas semi-comidas. Tinha arroz com milho por toda a mesa…

Eles me disseram que era para eu comer. Que eles tinham catado o resto da comida de todo mundo para eu comer…

Riram alto, enquanto o meu estômago revirava em ânsia e fome e nojo e dor. Meus olhos arderam e, infelizmente, uma lágrima caiu. Mas, graças a Deus, eu consegui não vomitar. Chamei o inspetor, pedindo para tirarem a comida da mesa, coloquei outra mesa no lugar e me sentei.

Sabem qual é a pior coisa? Não, não eram todos os meus colegas que faziam isso. Na verdade, era só um grupinho de idiotas. Mas o resto ficou olhando. Apenas olhando… Isso doeu mais do que podem imaginar, mais até do que ver aquele monte de resto de comida na minha mesa. Mas ainda sim, não era o pior de tudo.

O pior de tudo, era que uma parte minha — mesmo com nojo e vergonha e ódio… — quis sentar e comer um pouco. Eu só tinha 14 anos, gente, e estava com muita fome. Mas a ideia de que uma parte minha ainda o quis, isso foi o que acabou mais comigo. Porque era algo vergonhoso.

Eu estava com vergonha de ser eu a estar ali. Como se a culpa — mesmo sabendo que não — fosse minha. É isso que o bullying faz, gente. Ele vai te consumindo. Vocês acham que, se eu começassse a chorar copiosamente, alguém teria ido me ajudar? Se eu quebrasse o sorriso de vidro, se eu rompesse a barreira da vergonha, alguém iria me ajudar? Eu, honestamente, acho que não. Porque tudo que eu tinha eram aqueles olhares ao meu redor, como se sentissem pena e só. Como se eu valesse sua piedade distante mas não sua ação. Por isso resolvi escrever esse post: gente, quem sofre uma violência, por mais “inofenciva” que pareça, NÃO ESTÁ OK COM ISSO. Mesmo que a pessoa sorria, por favor, olhem bem e percebam que é de vidro, ajudem quem está afundando. Esse é o meu alerta: não fiquem só olhando. Pelo amor de Deus:

NÃO FIQUEM SÓ OLHANDO!

Porque são feridas que nunca vão sarar. Existiram muitas coisas boas no meu ensino médio e algumas pessoas legais também, depois disso. Mas eu nunca vou me esquecer do cheiro daquele entulho de resto de comida na minha mesa e do som das risadas dos imbecis que riam das minhas notas e da minha fome. E de como eu me senti inferior e indigna e imunda. De como o mundo era um lugar vazio e cheio demais, tudo ao mesmo tempo. De como as pessoas podiam ser ruins, só para se divertirem…

E, queridos, eu me tornei uma pessoa depressiva. Assim como a maioria das crianças que sofreram bullying na ambiente escolar, por sinal. Meu pedido, para terminar, é que prestem muita atenção no ambiente escolar em que seus irmãos, amigos e filhos convivem e em como eles interagem dentro deste meio. Muitos dos palhaços do meu ensino médio agora são engenheiros de respeito, formados nas melhores universidades públicas, ótimas notas, alguns até casados. Era “só brincadeira de criança” e eles cresceram. Duvido até que se lembrem do episódio.

Mas eu me lembro. Eu acho que nunca vou me esquecer.

A escola é o maior berçário de traumas que existe. É nela que começamos a lidar com o diferente, com a maior diversidade de pessoas que encontraremos na nossa vida. Não podemos tolerar que, junto com as lembranças juvenis e o conteúdo programático, as crianças aprendam também a se envergonharem de ser elas mesmas; a se sentirem menor por serem diferentes.

Por isso: NÃO FIQUEM SÓ OLHANDO.

As portas do confessionário se fecharão agora. Até a próxima.

Liz