Máquina do Tempo Literária #1: A Herança

A Herança

2016-11-10-12-55-52

CAPÍTULO 1:

Fechando a tampa…

          O quarto inteiro cheirava a morte. Morte e silêncio misturados à uma tristeza tão inesperada que poderia beirar a hipocrisia; o que foi de percepção geral sem que ninguém o comentasse. Os familiares do velho Bartolomeu se espalhavam pela casa – cada vez mais lotada com a chegada das pessoas à medida que a notícia do falecimento se alastrava – encomendando discursos pesarosos e lágrimas espalhafatosas de vez em vez. Continuar lendo

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Encantos femininos na música de Chico: Projeto mini-contos

Oi genteeeeeeeeeeee!!!!! Então, eu pensei em tentar fazer algo diferente! Será que eu consigo???

Pensei em pegar cinco músicas e escrever minicontos inspiradas nelas. Escolhi cinco músicas de ninguém menos que Chico Buarque (olha a responsabilidade!!!). Se eu gostar do resultado, posso tentar de novo com outros autores! hahaa

Estou mega ansiosa com isso… Porque, em geral, não me proponho a fazer projetos por aqui. Minha vida já é regrada o suficiente para eu optar por seguir regras também na Oficina. Mas eu achei tãããããooooo legal, que resolvi tentar! :3

E aí, o que acharam???? Bem, logo, logo, sai o primeiro miniconto (assim espero!). Meu maior desafio nesse projeto é escrever contos curtos, pequenas histórias, porque eu sou muito enrolona!!! haha Sempre acabo escrevendo demais. Mas me empolguei com a ideia…

O que acham???

Beijoo!!

 

 

Invictus

As lágrimas inundam meus olhos sem  aviso prévio.

Vocês tem alguma ideia do que eu deixei para trás, para chegar até aqui?

Vocês tem alguma ideia do que eu tive que passar para chegar até aqui?

Claro que não, estou sendo estúpida. Vocês não conhecem a minha história. E ela pode ser meio deprimente algumas vezes. Bem, eu não vou entediá-los com as torturas dos meus sacrifícios e dissabores. Eu não os constrangerei com as vezes que fui humilhada, depreciada e ridicularizada. Das vezes que a vida — e o mundo — me disseram que era impossível. Não hoje, pelo menos. Ontém foi um dia de arroubos e não irei tomá-los do meu coração com o veneno das dores passadas — e por terem existido, ainda presentes. Não, senhores! Porque ontém — depois de 20 anos de anseios e dúvidas — eu finalmente consegui realizar o único sonho real que tive, e alimentei, por toda a minha vida. Pode parecer pequeno, esse sonho meu, algo mínimo e corriqueiro aos olhos de um espectador alheio às condições da minha vida e minha alma. Não importa, em absoluto. Eu fechei meu ciclo no Observatório ontém, um ciclo de 3 anos e meio de pesquisa e dedicação às minhas queridas estrelinhas. Eu não fui Astrônoma, como a pequena Bi (ou Liz, para a maioria de vocês…) queria com tanto ardor ( como já comentei neste post) mas estudei as Estrelas. E, diante de tanto trabalho, dedicação e constante deslumbramento, me permito um pequeno arremedo de pensamento amarrado em clichês:

Gente, existe vida na conquista; por mais árido que seja o caminho.

Existe amor no sonho; por mais escura que a noite seja.

Existe mérito na tentativa; se nela residir todo o seu coração.

Se você for uma pessoa errada

De todas as maneiras certas,

O impossível do Ser e do Viver

é apenas — e nada mais — do que uma questão de opinião.

 

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

William Ernest Henley (23/08/1849 – 11/07/1903)

Tradução de André C S Masini, 2000
Todos os direitos reservados. Tradução publicada originalmente
no livro “Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa”
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Descrição da figura: Ata da defesa de monografia. Sobre esta, no cannto esquerdo, estão os meus óculos. No canto direito, a caneta preta usada para assinar o documento.

 

Dia 16 de Abril de 2015,

Universidade do Estado do Rio de Janeiro,

Instituto de Física Armando Dias Tavares,

Bloco B,

Sala 3007.

Defesa de Monografia.

Tema: Abundâncias Químicas em Estrelas Pós-AGBs.

Tipo de avaliação: Arguição Oral.

Conceito deferido pela banda julgadora: 10 (dez)

Senhoras e senhores: Invictus, sou.

(Sendo “quase Física”)

Liz.

Da série: Pareço boazinha mas… [2] Quero deixar tudo e todos para trás de vez em quando.

Oi minha gente!!

Então, é hora do segundo texto da série : Pareço boazinha mas… !!! Vocês podem ver o primeiro texto neste link. Vamos lá?! 

(As figuras desta série foram retiradas de uma das minhas páginas preferidas do Facebook: Paneloviski)

[2] Pareço boazinha mas… Quero deixar tudo e todos para trás de vez em quando.

Egoísmo. Às vezes, por mais que eu saiba que tenho que afastá-lo de mim, sepultá-lo em alguma alcova funda e esquecida; eis que ele — imbatível — volta a me tentar. Só aqueles que passam a vida vivendo um dia por vez e muitos sonhos a perder de vista sabem do que estou falando. Jogar tudo para o alto, desatar de cada pequeno nó que te amarra à algumas pessoas e lugares e se libertar do peso. Quem, honestamente, poderia me culpar?

Às vezes, tudo que desejo é a dádiva de ser egoísta. De não ter que lutar para pertencer, mas olhar para o infinito e se permitir. De não ter que sorrir e sentir-se parte da parede, fingir que há laços que vão além de sangue e ignorar laços que não ultrapassam, nunca, a poderosa barreira do amor.

Pareço boazinha, senhores, mas às vezes estou correndo léguas e léguas de todos. Do mundo todo, para finalmente, me permitir ser. Apenas ser. Andando por fortes correntezas, sendo arrastada por vontade e não por imposição — minha e de terceiros. Agradeço os gritos que, protetores, tetam me dizer que o bom e o certo é permanecer na água estagnada em que vivo. Porque sei que se preocupam comigo e com aqueles que dependem — ainda que não percebam ou admitam — de mim… A terra firme, senhores, com seu solo estável e seus corações enraizados, pode ser acolhedora e confortável.

Mas… Ah! O direito sagrado de se permitir… E ir de encontro ao que espero ter de melhor em mim…

Texto na imagem: “– Por ali a correnteza é menor!,  — Cuidado com as pedras! Acolhia com gratidão os gritos dos pescadores (em seus barcos) e dos amigos (em terra firme), mas não mudou o rumo da navegação. Queria se permitir. Um direito sagrada e tantas vezes esquecido.”

Liz.

Da série: Pareço boazinha mas… [1] detesto pessoas internamente.

Ok, essa é uma tag beeeeeeeem diferente. A Cassis do blog Menina das Estrelas bolou uma tag literária muito legal: Pareço boazinha mas… , onde temos que escrever cinco textos sobre aspectos em que não somos muito “bonzinhos” . Eu AMEI a ideia, claro! Afinal, tag falando das coisas boas da nossa vida tem uma porção… Eu amei esse desafio! ❤

Enfim, as regras são as seguintes:

1- linkar quem te tagueou;

2- Escrever cinco textos com a temática “Pareço boazinha/bonzinho mas…”;

3- Taguear cinco pessoas para responder.

Não tem imagem da tag, porque — na boa — não precisa, precisa? ❤  haha Estão preparados? Vamos lá! Meu primeiro textinho:

(As figuras desta série foram retiradas de uma das minhas páginas preferidas do Facebook: Paneloviski)

[1] Pareço boazinha mas… detesto pessoas internamente.

Há um tipo de pessoas que simplesmente descasca boas vontades em um simples tuncar, uma palavra perdida e um julgamento explanado. Essas pessoas que escarram idiotices a torto e a direito, que espalham suas fantasias destorcidas como se fossem verdades divinas; que enterram minha boa vontade da indiferença por existirem no mundo em camadas de impaciência e vergonha social alheia, recebem meu sorriso de vidro. Bonito e resplandescente se olhado de relance mas — ah, tão óbvio, tão claro… Como ninguém o vê, meu Deus? — quebradiço como vidro fino, sustentado pelas camadas de conveniência e preguiça que me sugam ao me envolver com esse tipo de gente. Eu me lembro que nem sempre fora assim. Eu me lembro de quando eu metia o dedo em riste frente à face da escrotidão, mas com o tempo, a infâmia de sua prole numerosa vem me ganhando em cansaço.  Estão por todo lugar, Deus nos ajude! Lotam do Facebook às calçadas do bairro e se aglutinam — ainda que cada um no seu canto — não se misturam, realmente, pois nem elas suportam seus iguais, em verdade — em montanhas de pré-conceitos, julgamentos batidos e receitas de opiniões que — Jesus! — cansam cada pequeno estalo de racionalidade e controle que tenho em mim.  Cansativo, falar para quem só ouve sua própria voz… Então, admito, na maioria das vezes sorrio e aceno, calada fico e saio de perto. A menos que a causa se faça justa frente à perda de energia necessária para meter minha opinião — a exemplo deles — goela abaixo e deixá-la pairando, úmida, em uma afronta de incredulidade do óbvio, mantenho-me lúcida e covardemente ignorando-os, apenas detestando suas atitudes em silêncio; enquanto cego-lhes os olhos com o brilho opaco de um sorriso de vidro barato.

Texto da figura: “O prejulgamento já não se contenta em ficar na calçada, no fim da tarde, na velha cadeira de balanço. Ele quer plateia. Os cochichos foram amplificados, os boatos ganharam asas, a maledicência descobriu a praticidade de viajar pela rede. Um gigantesco exército de “analistas”se agrupa para mais um dia de bombardeio. Que luta inglória, meu Deus!”

 

Primeira indicada: a maravilhosa Ana Santiago, do blog Diversidade Literária. ❤

Beijo!

Liz.