“Poeme-se”

2016-07-20 11.54.54

Olá!!!

Acabei de perceber que o facebook tem um lugar para colocar sua “biografia”, onde você “descreve quem você é” em 101 caracteres…

Mas vocês se deram conta do quão louco é isso? Quem, realmente, se descreve em 101 caracteres? Será que alguém consegue resumir-se em 101 caracteres? Continuar lendo

Confissão #2: Os dedos em riste e a premissa da gentileza

********** Abrindo as portas do confessionário ***********

Deixa eu contar uma coisa pra você, que adora apontar o dedo pras mães na rua, pros colegas de faculdade, pros vizinhos. Não vai ser uma historinha feliz, então se você está atrás de felicidade de comercial de margarina e não aguenta uma dose de realidade bruta, não diluída, então caia fora. Hoje a Oficina não está para o seu gosto, não.

Ontem, mais uma vez, meu menino surtou. Ele tem TEA e quando surta, como é comum aos autistas clássicos, usa da autoagressão e agressão alheia para extravasar essa carga de energia. Não me pergunte o que causa os surtos, porque ninguém sabe. Ele só começa: tira os óculos, o casaco e larga os bonecos que segura, em todo e qualquer momento, tirando o surto, nas mãos. É um ritual simbólico para mim, agora que penso nisso… Para ter com violência para consigo e para com o outro, ele meio que abandona o seu “eu” consciente. Meio que deixa de ser o meu Shippo e passa a ser um conglomerado de violência. Para consigo e tudo o que ele considera parte de si. Ou seja, para comigo também.

Depois de horas naquela existência confusa e bruta, depois de lutar para enfiá-lo ainda a nos bater embaixo da água gelada, depois de machucar o meu pulso (já lesionado pela tendinite), depois de muito gelo e lágrimas, depois de se acalmar e seu olhar voltar a clarear, ele pediu pra comprar pão. O incidente, a dor, a angústia, a violência parecem ter ido parar num plano semiescondido da sua mente. Mesmo que ele tenha se batido tão forte nos lados da cabeça que eu tive que aplicar quase uma hora de gelo depois, mesmo que eu não consiga levantar os braços direito de tão machucados que estão. Mesmo que temporariamente, os fantasmas doloridos de sua mente se afastaram e eis que surge uma preocupação real: precisamos de pão.

Olhei para a bagunça ardida em que eu estava e pedi para tomar banho primeiro. A água fria caía nos arranhões no meu braço e eu sentia a farpada funda da dor, como um choquinho agudo. Tive certa dificuldade de segurar o sabonete e me dei conta de que precisaria aplicar um pouco de gelo ali também. Chorei, mais uma vez. Dessa vez, não da dor mas do vazio. Tentei rezar, em busca de algum significado que me preenchesse.

“Senhor Deus dos desgraçados…” — comecei, de novo. Mas respirei fundo e parei. O que eu pediria, que já não pedi? Me aquietei de novo no vazio, lembrando da hora que se passou. Sabem o que é estranho? Eu nunca havia começado uma oração assim. As palavras saíram da minha mente, como se estivessem se libertando de correntes pesadas, enquanto eu tentava conter meu irmão na cama e ele golpeava meus braços sem cessar. Me vi fechando os olhos e rezando baixinho:

“Senhor Deus dos desgraçados, por favor, ajude meu irmão. Por favor, ajude o meu irmão…!”

Uma, duas, três, incontáveis vezes essas frases saíram pequenas e trêmulas dos meus lábios. E percebi, depois, no banho, o porquê de elas terem saído assim, livres, de dentro de mim. Eu percebi que não era ao meu irmão que me referira naquela hora. Que, quando rezei pelo Deus que olhava os “desgraçados”, eu rezei por mim. Era assim que eu me sentia: desgraçada, no sentido real — sem graças, sem forças, sem nada. Saí do banho com essa nova perspectiva de mim mesma. Sou uma pessoa orgulhosa, então admitir que me sentia assim, abandonada de tudo, deveria ser um ato dolorido. Ao invés disso, me aquietou. Não era nada mais do que isso, entende? Eu não precisava mais fingir para mim mesma que eu me sentia maior do que isso; que era real a ideia de que eu sou melhor do que a sensação de abandono. Não sou, é óbvio agora.

Saí procurando por uma camisa de manga para vestir, de forma a ocultar os machucados do meu braço. Estava calor e percebi que ouviria o cometário bem humorado dos vizinhos quando passasse: “Eita, menina, que frio é esse que você está sentindo?!”. Seria acompanhado de uma risada de bom humor, como a selar a boa relação comunitária entre nós. E eu sorriria e daria de ombros, como quem diz:”ah, mas eu gosto assim mesmo” e seguiria em frente. Mais um início de noite na vida cotidiana. Passei 7 anos na universidade carregando casacos mesmo nos dias mais quentes. Às vezes, quando o calor começava a ficar insuportável, eu tirava para colocá-lo novamente logo depois; quando eu sentia os olhares nas machas roxas e arranhões em meus braços. Em resposta às brincadeiras em relação ao meu suposto frio, eu sorria e dava de ombros. Com o tempo, elas tomavam corpo de impaciência, como se o fato de usar casaco no calor do Rio de Janeiro irritasse os meus colegas. E eu meio que concordava com eles, talvez porque, lá no fundo, eu estivesse irritada também. Então, acreditava, a reação deles e sua brincadeiras não me afetavam, em absoluto. Mas percebi ontem que, na verdade, secretamente, eu meio que me ressentia delas. Mesmo quando eu explicava a situação, as pessoas só faziam uma cara esquisita — de pena/repulsa — e mudavam rapidamente de assunto. E percebi, agora, que eu me ressentia desse abandono.

Passei 7 anos na faculdade, quase cinco deles no Observatório também, e todos adoravam reclamar ou brincar do fato de que eu, não raro, caía no sono em cima do teclado do computador enquanto trabalhava na minha pesquisa. “Vai dormir em casa, menina!”, me acordavam. Ninguém nunca se perguntou que, talvez, eu não pudesse dormir em casa. Que minhas horas de sono eram usadas para estudar a matéria que eu não conseguia estudar durante os finais de semana e dias livres, porque meu irmão não deixava. Passei 7 anos na universidade arrastando meus problemas de saúde e tendo que ouvir, sorrindo e dando de ombros, meus colegas e professores dizendo que “você precisa se cuidar direito, vai acabar morrendo” sem que percebessem que, no meu caso, ou era me dedicar aos tratamentos ou ir pra faculdade porque na metade do dia em que eu não estava em aula, eu estava em casa cuidando do meu irmão para minha mãe fazer a faculdade dela. Nos dois últimos semestres, eu mal conseguia andar devido às dores na coluna e ainda assim, engolia a dor e ia para a UERJ. Mesmo assim, quando tive que fazer a integralização, ouvi professores me falando que eu “tinha potencial mas não me esforçava o suficiente” e “se você quisesse se tratar direito, já teria resolvido os seus problemas” e, o clássico, “mas o seu irmão não é responsabilidade sua, é isso que você não quer entender”.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entre as brigas dentro de casa para que eu conseguisse, ao menos, IR às aulas (obtendo, no processo, algumas reprovações por falta que andam dificultando muito a minha vida nos processos seletivos para o mestrado), até a batalha que foi para eu conseguir fazer a pesquisa — exigindo tempo que minha mãe e minha irmã pareciam não poder abrir mão, mas que eu, aparentemente, podia; tudo que se via, fora dos muros da minha casa, era uma menina sempre sonolenta, doente, de casaco, parecendo irritar as pessoas por estar em um lugar que, obviamente, não deveria estar porque “não se esforçava o suficiente”. Pouco importava que meu coeficiente de rendimento fosse muito acima da média dos alunos de Física, que minha pesquisa fosse altamente elogiada e condecorada dentro do ON, que eu tivesse que passar meus finais de semana no Observatório para dar conta. Tudo que eu tinha, para justificar o meu orgulho e me convencer que eu era uma “agraciada”, era sorrir e dar de ombros diante do franco abandono. Porque meu orgulho não permitira, de jeito nenhum, que me vissem como uma “coitada”.

Mas ontem percebi minha estupidez. Os dedos, firmes e cruéis, sempre estiveram em riste. E o que sobrou, afinal? Uma mulher de 25 anos que mal conseguia levantar os braços machucados para conter um garoto muito maior e mais forte que ela. Uma mulher que se deu conta de que não adianta mais usar casacos e sorrir da falta de gentileza alheia.

“Senhor Deus dos desgraçados…”

Entendi que, sim, não tenho graças. Os dedos em riste sempre estarão lá, então por que não apontá-los para a verdade? Desisti da camisa de manga. Vesti uma regata branca e, para quem quisesse ver, estavam as marcas no meu braço e minha cara inchada de chorar. Deixe que apontem. Não esconder mais foi o maior gesto de gentileza que tive comigo mesma desde que nasci.

Então, gente, um pedido a quem estiver lendo isso: há sempre uma mãe que suspira, cansada e desamparada, na rua. Há sempre um vizinho que anda irritado, um estranho no trem cantando baixinho para si mesmo algum conforto em forma de canção. Mesmo correndo o risco de parecer arrogante, deixe-me dizer isso a vocês: vocês não sabem a merda que a vida pode ser. Esqueçam os comerciais e vídeos de formatura. A felicidade, para muita gente, não chega a nem perto disso. Para muita gente, terminar o dia bem significa que seu filho foi ele mesmo por um dia inteiro. E, mesmo assim, amanhã é sempre um novo dia.

Por isso, vale a máxima: Você não sabe pelo que as pessoas passam no seu dia a dia. Seja gentil, sempre.

Até.

*******As portas do confessionário estão se fechando agora ********

Marzipã…

Faz um tempo que eu assisti a esse vídeo no youtube… Ele simplesmente apareceu na minha timeline no dia em que eu voltava de um passeio à praia de Ipanema, em uma noite fria e doce de abril. Fazia uma semana que eu tinha voltado de uma viagem a Paraty e eu estava meio que redescobrindo meu relacionamento com meu namorado. Estávamos juntos há mais de 8 anos, então. Se quiserem, assistam (ou melhor, ouçam) a declaração de um noivo para sua noiva em seu casamento.

Depois de assistir à uma declaração tão… verdadeira, eu fiquei meio em choque. Porque naquela noite, naquela exata noite, meu namorado havia — sem perceber, aparentemente. Ele é quase uma pedra nesses assuntos… — me dado um presente inestimável. Ali, os pés mergulhados na areia fina e constantemente lambidos pela espuma da água fria, onde tudo no mundo se calava diante do barulho das ondas, ele me abraçou por trás e me agradeceu.

“Obrigado.”

A voz era pequena, baixa mesmo, quase um sussurro espantado. No início, eu não entendi.

— Pelo quê? — perguntei.

E eu senti, como se soprada pelo mar, a respiração dele esquentar a minha nuca. Ela escapou do nariz com o alívio e a solidez de uma confissão. As palavras vieram contidas e fartas. Um sussuro no tom da espuma que tocava os meus pés. Eram estranhas aos meus ouvidos porque aqueles lábios não costumavam deixar escapar coisas assim. As palavras miúdas  que chegaram ao meu ouvido direito foram:

“Porque você me fez uma pessoa melhor”

Eu demorei muito tempo para conseguir entender essa frase. Provavelmente, eu ainda não a entendi em sua completude. Entendam, meu namorado nunca fora uma pessoa ruim ou torta. Eu não vejo como eu poderia ter transformado a sua vida de maneira tão imensa. Então eu não entendo bem o que isso significa mas…

Uma coisa eu entendi: eu mudei a vida dele para toda a sua existência. E ele, a minha.

Eu não sei se meu namoro de 9 anos  durará mais um dia ou mais um ano ou mais uma vida. Essas questões filosóficas estão além da minha compreensão imediata e não me importo com isso. Durará o tempo que tiver que durar, será o que tiver que ser e todas as frases clichês acerca do destino que vocês consigam pensar podem ser adicionadas aqui.  O que importa, é que eu possa reconhecer o valor dessa história pelo resto da minha vida. Que seja algo absolutamente precioso, da sua maneira.

Por isso, quanto tempo ele continuará ao meu lado e eu do dele, eu não sei nem me importa saber…

Porque, gente, as marcas deixadas pela existência de um amor — mesmo que um dia ele acabe (ou não) é que são importantes. Tudo que importa, na verdade mais íntima da memória, é o que vivemos juntos. Afinal:

Tudo que  sei — e que me importa saber — é que, no início, eu era uma garotinha irritante e tagarela, que estudava na turma de reclassificados e era terrível nas exatas; e ele saía de perto quando eu chegava porque não suportava nada em mim, nem minha presença, nem mesmo o meu jeito de falar.

Tudo que importa é que ele era um eremita inteligente e antissocial, estudando numa das melhores turmas da escola, sempre tirando as melhores notas sem precisar nem estudar e eu o achava meio estranho por nunca abrir a boca para falar.

E depois, ele não queria olhar para mim… Mas de tanto eu irritá-lo, ele sorriu.

E depois, eu não queria me apaixonar por ele… Mas quando ele passou a sorrir, eu caí.

E ele acabou procurando o meu olhar , todos os dias.

E eu acabei me  apaixonando por ele, em todos os sorrisos.

E ele nunca disse “Você é minha vida” e também nunca me chama de meu “Meu Amor” (só por deboche.. =p). Mas me abraça e agradece, me traz doces e sorri — como se ninguém estivesse olhando. Ele nunca disse para que eu não usasse saia de prega e penteasse o cabelo. Na verdade, ele tira o arco que uso no cabelo e esfrega ainda mais os cachos, e eu fico toda desmontada, com o cabelo apontando em todas as direções e um sorriso no rosto.  Ele reclama dos doramas e seus clichês, mas quando eu entro no carro quando ele vai buscar-me na universidade, o celular já está pronto para passar o último episódio do meu dorama favorito… E quando passo semanas estudando, desesperada, e ficamos sem nos encontrar, a voz dele no celular fala “Dê o seu melhor” ao invés de “Vem me ver!”…

E eu pergunto: — Você não se irrita mais? Com o meu jeito?

E ele responde: — Não… Isso tudo é você.

“Eu te adoro!”‘

E depois de 9 anos de um beijo desencontrado no ponto de ônibus,

E depois de algumas lágrimas, muitos doces e beijos encontrados,

E depois de surgirem olheiras e cabelos brancos,

Da escola ser trocada pela faculdade e empresa e cansaço, 

Ele ainda me abraça na Beira do mar…

Como se eu fosse algo profundamente precioso,

Como se tivesse provado do marzipã mais doce,

E tivesse se dado conta que o sabor das amêndoas moídas 

Faz com que se sinta em casa.

Obrigada, Thiago.

 Liz

Escolha a “BONITA”!

Gente, acabou o períodooooooooooooooo!!!!! Momento para dancinha do alívio:

\o/\o/\o/

Nem acredito, gente! Então, vamos ao que interessa: Uma matéria do site Hypeness me fez revirar a velha piscina de memórias acerca dos esteriótipos de beleza feminina e como nós, mulheres, somos ensinadas a pensar neles. Deem um pulo lá, se puderem, e assistam ao vídeo.

Para quem não foi lá, deixe-me explicar a situação: a marca Dove fez uma campanha para chamar a atenção de como as mulheres enxergam a si mesmas: em portas de lugares públicos, como shoppings, por exemplo, foram instaladas placas com os dizeres “Normal” e “Bonita”.  O número de mulheres que escolheram passar pela porta das “Normais” é impressionante. E aí me surgiu a pergunta: Gente, o que, raios, é ser “‘Normal”? Alguém que não é feio nem bonito? Alguém com a aparência comum? Alguém que não brilharia em papel de revista pegando um bronze na ilha da Caras????

Ai gente, que coisa cansativa. Eu sei que já comentei sobre isso (neste post  e neste, por exemplo) mas acho que a beleza, desse jeito esquisito que separa pessoas em “Bonitas”, “Feias” e “Normais” não passa de um glamour, uma purpurina para lá de vagaba, que faz a gente chamar um bocado de atenção se vista de longe e pareça um vagalume da feirinha da Uruguaiana (lugar de comércio popular aqui no Rio, famoso pelos produtos falsificados) quando se chega perto. Como diz a música:

“Glamour é simples
Glamour é fácil
Basta o peso, a pose,
a roupa, o riso, o rosto,
a festa, o gesto e o jeito exatos.”

Ou seja: é uma receita do “ser” que não tem cabimento, gente. Uma fábrica de costumes estipulados: “como se vestir”, “como se maquiar”, “como falar”, “como sorrir”. E o tanto de gente que quer seguir a receita para virar algo que consegue ver em outras pessoas mas — por estarem na capa de uma revista, em um video do youtube ou em na novela das 21h — pensa ser melhor, mais especial do que ser quem você é… E quando não o conseguem (óbvio. Você não é aquela pessoa que está tentando ser!), acabam por menosprezar o que tem de melhor: serem elas mesmas. Acabam perdendo um tesouro inestimável, que é ver-se como a linda/gostosa/esquisita/única/defeituosa/matavilhosa que é. A prova disso é o número de mulheres que escolheram se taxar de “Normais”.

“Quando você morre pra perder 1 quilo
E entrar naquelas roupas que você nem gosta
Pra seduzir o mundo que te pede a alma
Querida tenha calma e acredite em mim

As perguntas que ficam, rasgadas e finas, são:

Afinal, o que é “ser bonita”?

Afinal, o que te faz “bonita”?

O que te faz “normal”?

Afinal, qual das duas portas você escolheria?

Eu escolho o “Bonita” ❤

hahaha

Se eu fosse você, escolheria também!!!!

Beijo!

Liz.

Ps: a música citada é “Glamour”, de Leoni e Luciana Fregolente <3.

 

Todo mundo é figurante

Gente, que saudade de vir aqui!!!!!!!!!!!!!!!!!!  Sim, eu tenho milhares de coisas para entregar / fazer para semana que vem (que promete ser uma das mais tenebrosas de toda a minha graduação. O que, acreditem: é alguma coisa…) mas é que uma frase está martelando na minha cabeça de forma tão grotesca, que não tem como eu deixar mais de lado: “Eu não sou figurante!” é o mais novo hit do meu cenário mental.

E tudo isso por causa de Harry Potter… Para quem não sabe, eu sou Potterhead de carteirinha desde a infância. Mais do que isso: Eu sou da Lufa-Lufa (Hufflepuff,  no original). Sim, senhores! Vou colocar em caps lock, só pra parar de ouvir o mimimi: EU – SOU -LUFA-LUFA. Com muito orgulho, viu? Pronto. Graças a Deus.  Mas quando eu disse isso a um colega de universidade, ele me respondeu enfaticamente: “Coitada! Eu sou da Grifinória, não nasci paraser figurante! “

Tive vontade de rir. E ri mesmo, na cara dele. É muita arrogância gente, ter que escutar uma coisa dessas quase 22h da noite. “Querido, todo mundo é figurante.”, respondi, ainda gargalhando. Ele ficou um pouco chocado e me retrucou, meio ofendido, que “Ele não era, claro que não!”. 

Ficou chateado, gente, meu amiguinho, só pela simples menção de que ele não era a última coca-cola do deserto. Pela menção de que ele é um mero figurante no destino do mundo. Filho, a verdade dói mas todos somos figurantes. Somos protagonistas da nossa própria história, ou pelo menos é por isso que devemos lutar, todos os dias. Mas se você quer ser protagonista da história de outra pessoa: cara, você tem um problema sério. De verdade, procure ajuda porque o que está rolando não é legal.

Gente, pode parecer estranho, mas na grande maioria das vezes ser figurante é o melhor do que você pode ser: porque significa apoiar alguém, viver não só por você, deixar os outros brilharem, ajudar sem pedir nada em troca.  Eu não preciso estar nos holofotes da história de ninguém, eu já brilho na minha. Eu me orgulho de ser figurante na história da minha família e dos meus amigos. Quando falo deles, é dos feitos que realizaram e não da minha participação neles. Porque é a vez deles de brilharem.

Eu sou Lufa-Lufa, pessoal. Na história original de HP, caso não lembrem, a minha Casa foi a segunda que ficou em maior número para lutar na Batalha de Hogwarts, mesmo não tendo ligação direta com a Ordem (metade da grifinória é composta pelos weasley mesmo… U.U hahaha). E é  a casa que menos perdeu estudantes, aliás. Mais do que isso: pertenço à Casa com o menor número de bruxos das trevas que existem e já existiram. Se não fossem os Lufas-Lufas, figurantes à beça, graças a Deus — até porque a história era do Harry e não minha… hahaha – não teria ninguém para guardar a ala oeste do castelo e a ponte ficaria totalmente à merce  dos comensais. Sabem o que é maravilhoso?

A história é contada pelos ídolos e tal. Mas ela é feita, no duro, pelos figurantes. Então, quer saber? 

Somos todos uns puta figurantes!

Ainda bem 😀

“You might belong in Hufflepull, where they are just and loyal. Tohes patient Hufflepuff are true and unafraid of toil”. Traduzindo: “Você talvez pertença à Lufa-Lufa. Onde eles são justos e leais, verdadeiros e sem medo da dor.” :3

#HufflepuffPride

hahaha

Beijo, gente!

Liz.

Aaaaaaaaaaaaaaaaah!!! Não consigo escrever!!!!

Gente, estou enlouquecendo!

Tenho tanta coisa para fazer, estudar, tantos trabalhos a entregar que… NÃO CONSIGO ESCREVER! Eu nem consigo produzir o que preciso para faculdade, nem consigo produzir o que eu gostaria para meu ócio…

Arg!!! Não é só falta de tempo, não: é como se eu estivesse travada. Começo textos que não termino; faço mil rabiscos mas não desenho, cantarolo músicas e não chego nem no refrão. Nem dormir direito eu consigo mais. Tudo por causa desse final exaustivo de faculdade, que está sugando cada gota de boa vontade e arte que corre nas minhas veias.

Já passaram por isso? Essa vontade louca e insandecida de gritar, não fazer nada que deve, jogar tudo pro alto e ir para as montanhas; lutar com tigres, ficar debaixo de cascatas e meditar até virar alguém com um futuro respeitável?????

Ok, ok… Talvez não precise ir tão longe… So dar um tempo, resolve? Sair pelos centros culturais do Rio seria uma onda refrescante para mim… Mas eu não consigo abandonar os compromissos de uma hora para outra…

E vocês? Alguma ideia para me tirar dessa pressão do inacabado?

Ajudem à essa aspirante a louca, por favoooooor!!!!

Beijo!

Liz.

Quem nos olha de lá de cima

Ok, falemos de religiosidade. Falemos de respeito. Falemos de fé ou da falta dela. Não é um assunto fácil, mas depois de ver uma mãe meio enlouquecida, gritando no meio da rua com seu filho por informá-la que era dia de “São José”(porque na sua mente destorcida aquilo é “coisa do diabo”) e lançando maldições absurdas contra o próprio filho “pecador”, isso ficou latejando na minha cabeça.

Percebi que tive muita sorte, em relação à maneira como fui conduzida à escolha da minha própria religiosidade. Minha mãe e eu temos diversos problemas de relacionamentos — como quase todo mundo, eu acho… — mas nunca tive problemas deste tipo. Para começar: minha mãe é candomblecista mas nunca, nem por um momento, me disse que eu também deveria ser. Ela nunca sentou comigo e disse que estava na hora de eu fazer o santo ou me pediu para frequentar as festas do Ilê Omolu e Oxum, sua Casa. Ela nunca me pediu para usar branco na sexta-feira em respeito a Olorum. Na verdade, eu fui crescendo meio que à parte de sua religiosidade, até que me dei conta de que minha mãe não rezava como as “tias” da escola pareciam insinuar a cada evento escolar: “Obrigada a Deus”, “Papai do Céu fez você assim”, “Vamos agradecer a Jesus”. Nunca tinha ouvido minha mãe falar coisas assim, diretamente religiosas (embora ela fale, sim, a primeira expressão de vez em quando…). Sabe quando eu me dei conta de que haviam religiões no mundo? Quando perguntei para ela o que era o Natal. Na escola, quando chegava dezembro, todo mundo falava de Natal e de Jesus e do Nascimento de alguém e eu nunca tinha entendido bem a relação entre essas coisas e a comemoração anual que juntava toda a minha família na casa da minha avó. Ela, que tinha feito catecismo e crisma na infância, sentou-se comigo e com a minha irmã e nos contou a história  sobre a uma Profecia que anunciava a chegada de um Deus-menino à Terra, sobre a maldade de Herodes e sobre anjos e reis. Ela gastou um bom tempo dizendo que esse bebê que nasceu, segundo se conta, virou um homem muito bom, que ensinou às pessoas sobre amor e igualdade, sobre dividir e respeitar e que acabou morrendo porque as pessoas não entenderam direito sua mensagem. Ela contou que algumas pessoas acreditavam que esse homem era Deus e que ainda estava vivo, olhando por todos lá do Céu. E que o Natal existia para comemorarmos sua vinda ao mundo e como ele foi uma pessoa maravilhosa e santa.

Quando crescemos mais um pouco, e começamos a entender que existiam diferentes formas de religião, ela achou que podíamos nos influenciar pela religiosidade que o mundo parecia achar “correta”, a religião que nossas amigas seguiam e proclamavam e passou a nos apresentar todas as possibilidades de fé que estavam ao seu alcance. Pediu para sua melhor amiga — que era católica — nos levar à missa. Ao mesmo tempo, pediu à uma vizinha nossa, que é espírita cardecista, nos falar sobre o espiritismo e depois nos levou à festa da minha avó, quando ela fez o santo, no candomblé. Contou-nos um pouco sobre a mitologia dos Orixás, leu uns livrinhos com algumas histórias. Ela disse que precisávamos entender o que era religião, que precisávamos escolher o que nosso coração achava que era verdade. Ela disse que existiam outras, muitas outras, e que existia gente que não acreditava em nenhuma, mas que não conhecia ninguém que poderia nos apresentar a respeito. Disse que, se quiséssemos, poderíamos procurar a respeito sozinhas quando estivéssemos crescidas e que estava tudo bem, não importava no que acreditássemos ou se não acreditássemos em nada além do amor entre as pessoas.

Quando, por fim, dissemos que acreditávamos em Jesus e nos santos católicos, ela nos ensinou a rezar a Ave Maria, o Pai Nosso, o Credo e a Salve Rainha. Essa é uma lembrança muito especial, pois ela mesma não se lembrava direito das duas últimas e ficou longos minutos, concentrada, de olhos fechados e mãos juntas, tentando se lembrar dos versos com exatidão. Parecia tão compenetrada! Me lembro de seus lábios cerrados, a prega entre os olhos, a serenidade de apresentar às filhas a religião que ela não escolheu, mas que respeitava como todas as outras. “As pessoas costumam rezar de joelhos, como reverência, mas vocês podem falar com Deus do jeito que quiserem. Se vocês acreditam Nele, Ele sempre ouvirá vocês. Não se preocupem”, nos ensinou. Quando nos contou sobre a morte de Jesus e sua ressurreição, eu chorei de dó, tristeza e amor e ela me consolou sobre a crueldade do mundo, dizendo que Ele ainda vivia, que estava olhando por todo mundo, que sempre protegeria e amaria a todos. Um tempo depois, minha mãe — Filha de Yemanjá, hoje Ebomi e Mãe de Santo — comprou um terço para nós. E nos ensinou como rezar com ele. Não havia Bíblias na minha casa, mas ela nos ensinou os salmos de que se lembrava e nos contou sobre os santos que conhecia. Mas não nos levaria à Igreja: “Eu não sou Cristã, então não vou à missa. Não significa nada para mim, então não faz sentido eu estar lá. Mas quando vocês crescerem, se quiserem ir, vão”.

Vocês percebem? Minha mãe me ensinou sobre RESPEITO não com palavras, nem com ditados, mas com GESTOS. Minha mãe me ensinou, desde pequena, que minha fé não é melhor do que a dela; que meu coração não precisa acreditar na sua Verdade. Naquela noite, sentadas na cama dela, com o terço nas mãos, minha mãe me ensinou mais sobre tolerância e respeito e amor ao próximo do que milhões de  sermões. Hoje, nossas Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima estão ao lado de sua Yemanjá no alto da arca no corredor; o quadro de seu Pai Oxóssi — O Caçador — está ao lado do lugar onde não muito tempo atrás estava pendurado nosso crucifixo (o suporte arrebentou e ele acabou caindo); no dia 12 de outubro — Dia de Nossa Senhora Aparecida — ela sabe que nós ficaremos um bom tempo rezando terços antes de sairmos do quarto para tomar café e não deixa ninguém nos atrapalhar, nem mesmo meu irmão. Porque ela sabe, do fundo do coração, que é algo sagrado para nós. Porque ela sabe, do fundo do coração, que essa é a nossa Verdade.

Minha mãe jamais gritaria comigo na rua se eu falasse que era Dia de Nossa Senhora Aparecida. Minha mãe não me amaldiçoa quando faço o sinal da Cruz ao passar na frente de uma igreja. Minha mãe estará de pé na igreja, emocionada, no dia em que finalmente fizer minha crisma; assim como eu fui na festa em que completou sete anos de santo.

Porque nós três (minha irmã, minha mãe e eu) temos algo em comum: Temos a consciência de que quem nos olha lá de cima, na verdade, está no nosso coração e no nosso amor. Está nos nossos gestos, no nosso andar sobre as estradas do mundo. Então, gente, ensine o que minha mãe me ensinou quando seus filhos perguntarem sobre religiosidade: “Se o que você acredita prega o bem aos outros, se te faz uma pessoa melhor, então está tudo bem. Não importa se a gente dança, reza, canta ou não faz nada. O que importa, é sermos boas pessoas”. 

Porque quem nos olha a todos lá de cima, é o Amor.

Pensem nisso, ok?

Beijo,

Liz.